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Marcos do Val é anunciado no Avante após reviravolta partidária

Polêmico, senador de extrema direita tentará reeleição com candidatura isolada

Andressa Anholete/Ag.Senado

O partido Avante anunciou, nessa quarta-feira (1º), a filiação do senador Marcos do Val, que também presidirá a sigla no Espírito Santo. No início da semana, Do Val chegou a anunciar que entraria no Mobiliza, mas voltou atrás algumas horas depois, após reações dos atuais filiados.

Em live realizada no YouTube, Marcos do Val afirmou que o “sistema” e a “esquerda capixaba” trabalharam para inviabilizar sua filiação em diversos partidos. Ele citou um deputado estadual em específico que estaria articulando contra ele, mencionando as iniciais “M” e “S” – ao que tudo indica, em referência ao presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União), que faz parte da frente governista de Renato Casagrande (PSB) e Ricardo Ferraço (MDB).

Nesse sentido, Marcos do Val inverteu o fato e afirmou que “desistiu” do Mobiliza diante da hesitação do partido em anunciar oficialmente que ele presidiria o diretório estadual. No caso do Avante, o presidente nacional, o deputado federal por Minas Gerais Luis Tibé, apareceu na live para confirmar a filiação do senador. “O sistema não conseguiu, mais uma vez, me inviabilizar. Não respondo nem por multa de trânsito. Não tenho nenhuma denúncia, nada. E esse partido me deu total autonomia”, completou o parlamentar capixaba.

Marcos do Val conseguiu um partido, mas caminhará sozinho em sua campanha pela reeleição, após quase oito anos de controvérsias. Ele ganhou fama a nível estadual por falar sobre técnicas de segurança e defesa pessoal em programas de televisão e redes sociais, propagando que deu treinamento para Swat (unidade de polícia especializada dos Estados Unidos). Do Val se elegeu em 2018, na onda de renovação política proporcionada pela Operação Lava Jato.

Na época, seu partido era o PPS (hoje Cidadania), e contava com o apoio do então candidato a governador Renato Casagrande, da “esquerda” que ele tanto diz combater atualmente. Logo no início do mandato, porém, entrou para a base do então presidente Jair Bolsonaro (PL) no Senado, migrou para o Podemos em 2019, e iniciou a sua trajetória de polêmicas. Em 2021, durante Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Covid-19, trocou empurrões com o então deputado federal Luis Miranda (Republicanos-DF).

Em 2022, Marcos do Val foi denunciado por corrupção ativa em notícia-crime protocolada pelo também senador Alessandro Vieira (PSDB-PE, hoje MDB), em decorrência do recebimento de R$ 50 milhões em emendas parlamentares por ter votado no senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a presidência do Senado. O próprio Do Val admitiu ter recebido verbas por meio de emendas como “gratidão” por ter apoiado Pacheco na disputa, em fevereiro de 2021.

A maior controvérsia, porém, surgiu em 2023. Durante uma live, ele afirmou que o então deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) o levou para uma reunião com Jair Bolsonaro, na qual o presidente o teria coagido a participar de um suposto plano de golpe de Estado. Do Val disse ainda que comunicou o assunto ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entretanto, ele mudou a versão mais de uma vez, e chegou a desdizer que Bolsonaro o coagiu.

Depois disso, passou a ser alvo de investigação no STF, e suas redes sociais foram bloqueadas em agosto de 2024, após ataques direcionados ao Supremo. Acabou caindo em descrédito com os próprios bolsonaristas, e protagonizou um entrevero com o deputado federal Gilvan da Federal (PL) no Aeroporto de Vitória, em 2024.

Em agosto do ano passado, após viajar aos Estados Unidos sem comunicação prévia ao STF, Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de seus bens e que passasse a utilizar tornozeleira eletrônica. Em meio a tensões entre o Supremo e o Congresso, a imprensa nacional começou a noticiar um possível acordo de bastidores, segundo o qual Do Val tiraria uma licença médica. Em troca, haveria um relaxamento das sanções contra ele. A licença (116 dias, a partir de setembro passado) e o relaxamento das sanções de fato ocorreram.

Na semana passada, Marcos do Val foi criticado por vereadores da base do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e da oposição devido à falta de informações sobre uma nova base da Guarda Civil Municipal instalada na Enseada do Suá com recursos de uma emenda parlamentar dele. O senador tem alardeado que a base faz parte de um programa de segurança idealizado por ele, que amplia ações de monitoramento de segurança com soluções tecnológicas “de ponta”.

Com tantas controvérsias, Marcos do Val se tornou um “desquerido” nos mais variados campos políticos, e agora terá que “remar sozinho” em busca da reeleição, em um partido pequeno.

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