Sexta, 19 Agosto 2022

Marcos do Val é apontado em vídeo como 'padrinho político' da cloroquina

doval_tratamentoprecoce_redessociais Redes sociais

Uma das figuras centrais, no Estado, da chamada "guerra da cloroquina", iniciada pelo presidente Jair Bolsonaro, o senador Marcos do Val (Podemos), membro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, "trabalhou com o gabinete paralelo que orientou o uso de medicamentos e políticas públicas inúteis contra a Covid-19", como informa matéria jornalística do site The Intercept divulgada nesta quinta-feira (7). Sob o título O Padrinho, a reportagem é ilustrada por um vídeo no qual o senador é apresentado como padrinho político da iniciativa. Em nota, Do Val nega.

Em 2020, o senador divulgou em suas redes sociais a doação de 2 mil kits de hidroxicloroquina e azitromicina ao ambulatório da Igreja Santa Rita de Cássia, localizada na Praia do Canto, em Vitória, por meio do plano de saúde MedSenior, pertencente ao mesmo grupo empresarial dos outdoors instalados em pontos da Grande Vitória. O assunto mereceu matéria de Século Diário, com o título "Na 'guerra da cloroquina', Senado será acionado para apurar doações no Estado".

Na mesma época, Do Val anunciou a liberação de R$ 11 milhões do Ministério da Saúde para o combate à doença, seguindo a estratégia de tratamento precoce, apontado como responsável por grande parte das 600 mil mortes provocadas pela Covid 19 no Brasil. Defensor desse tratamento, do qual também aderiu, apesar de não haver comprovação científica, o senador foi objeto de representação judicial impetrada pelo advogado capixaba André Moreira. Essa ação foi encaminhada à CPI da Covid, que ainda não adotou nenhuma medida.

Em resposta à interpelação judicial de Moreira, Marcos do Val respondeu judicialmente que "os medicamentos em questão foram doados pela APSEN (doc. 6) e pela Eurofarma (doc. 7) no bojo de programas sociais de caráter nacional ao grupo Medsenior (doc. 8), que os repassou à Paróquia Santa Rita de Cássia (doc. 9), na Praia do Canto, em Vitória, e que procedeu a sua distribuição, em rigorosa observância às regras de referência, ações que o senador Marcos do Vai apoiou de forma enfática, mas para as quais não aportou quaisquer recursos estatais de qualquer tipo".

A matéria do The Intercept aponta o senador como orientador do uso de medicamentos e políticas públicas inúteis contra a Covid-19 e mostra, em vídeo, uma reunião privada, classificada pelo empresário e lobista Carlos Wizard como um 'encontro nacional' com médicos de '27 estados", quando do Val foi apresentado como "padrinho político".

"A gravação do encontro foi entregue ao Intercept por uma fonte que pediu para se manter anônima por medo de represálias. O material, com confissões até então inéditas, não faz parte dos documentos recolhidos pela CPI. Para preservar a identidade da fonte, o Intercept optou por não publicar a íntegra do vídeo, mas apenas trechos dele", informa a matéria.

E prossegue: "Numa fala de quase dez minutos, do Val afirmou que trabalhava para convencer autoridades para que adotassem o chamado kit Covid, assim como para organizar a distribuição de fármacos comprovadamente ineficazes contra o novo coronavírus. O senador mencionou tratativas dele com as Forças Armadas, governadores, prefeitos, o Ministério Público e a Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A reunião ocorreu em 28 de junho de 2020".

Procurado por Século Diário para se pronunciar, o senador respondeu com a seguinte nota: "Esclareço, ante a publicação da reportagem O Padrinho pelo site The Intercept Brasil, que nunca participei de gabinete paralelo da Presidência da República, nem atuei no exercício do mandato de senador da República de qualquer iniciativa para influenciar, de forma clandestina, políticas públicas de competência do Ministério da Saúde".

Em outro trecho, ele diz: "A reunião que o Intercept anuncia como secreta e cujo vídeo teria sido obtido por vazamento aconteceu no dia 28 de junho de 2020. As gravações das reuniões consecutivas, que contaram com a participação de ainda mais médicos brasileiros e estrangeiros, estão disponíveis em minhas redes - fato que poderia ter sido averiguado por simples apuração jornalística. Isso consequentemente evitaria que o veículo, com tantos serviços prestados à informação da sociedade, incorresse em divulgação de fake news".

Mais adiante, afirma que "a defesa que fiz do tratamento precoce foi pública, no momento inicial da pandemia da Covid-19, como prova a documentação e vídeos enviados ao The Intercept Brasil e em representação democrática de segmentos da sociedade brasileira em defesa dos direitos constitucionais à saúde de todos" e acrescenta: "Àquela época, lidávamos com uma doença completamente desconhecida. Não havia vacina e as pesquisas sobre tratamentos da Covid-19 ainda estavam em estágio inicial. De boa-fé, atuei por força de meu mandato para maximizar a saúde e o bem-estar de todos em meio à maior crise sanitária da história do país".

E continua: "Trabalhei junto a órgãos estaduais e municipais para viabilizar medicação para tratamento precoce unicamente aos municípios solicitantes, e todo o meu trabalho foi acompanhando pelo Ministério Público do Espírito Santo. A partir do momento em que os imunizantes passaram a ser desenvolvidos e se mostraram eficazes, iniciei um vasto trabalho de suporte para que chegassem rapidamente ao maior número de brasileiros - posição claramente divergente a do grupo de apoio do presidente da República.
Ademais, vale ressaltar que nunca estive em qualquer reunião oficial com o presidente da República no Palácio do Planalto, seja para tratar de assuntos referentes ao exercício do meu mandato parlamentar, nem tão pouco para tratar sobre a pandemia".

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Comentários: 2

Seu Madruga em Sexta, 08 Outubro 2021 13:37

Parabéns senador pela posição, mantenha-se assim, não ligue para essa esquerdalha.

Parabéns senador pela posição, mantenha-se assim, não ligue para essa esquerdalha.
Henrique em Domingo, 10 Outubro 2021 08:44

Até agora continua sendo um dos melhores senadores que já tivemos. Mantenha a postura e não ceda ao apelo da política que sempre foi praticada por quase todos os antecessores e os contemporâneos.

Até agora continua sendo um dos melhores senadores que já tivemos. Mantenha a postura e não ceda ao apelo da política que sempre foi praticada por quase todos os antecessores e os contemporâneos.
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