Na sessão desta quarta-feira (25) da Assembleia, enquanto estudantes, pais e professores protestavam em frente o legislativo estadual, dentro do prédio os deputados tentavam fazer uma sessão ordinária como se nada estivesse acontecendo. Até que o deputado Amaro Neto (PPS) “furou o tumor”.
Ele afirmou que a Escola Viva era um projeto de marketing eleitoral e que o marqueteiro foi chamado às pressas para explicar para o governador e equipe do que se tratava o projeto.
O clima estabelecido em torno do projeto deixou a Assembleia acuada. Se os deputados estaduais aprovarem a matéria como está, o barulho vai ser muito maior do que está sendo hoje. E não vai demorar até a manifestação chegar à porta do Palácio Anchieta.
Já está mais do que evidente que a Escola Viva se transformou em uma agenda negativa para o governador Paulo Hartung. Tanto que ele não entra diretamente na questão. Sua última movimentação neste campo, foi na sexta-feira (20), quando anunciou pelo Facebook a retirada da urgência do projeto.
Hartung voltando atrás em um projeto é algo que surpreende. Quando tem deputado ligando para o Palácio às 6h30 da manhã, é porque a coisa está complicada. A repercussão da audiência pública pegou o governo de surpresa. A fragilidade das explicações do secretário de Educação, dificultou o debate e a viagem para estudantes – prometida pelo secretário Haroldo, em reunião nessa terça-feira (24), com alguns estudantes, para que conheçam o modelo de sucesso do Escola Vilva em outros estados – ficou com cara de cooptação.
A relação do secretário com os professores tende a piorar. Uma pauta de 20 itens foi entregue pela categoria ao secretário e até agora só há evasivas vindas do Executivo. Hartung tem de tomar cuidado ou terá de lidar com uma coisa que não é muito seu estilo: a mobilização social.
Fragmentos:
1 – Do deputado Amaro Neto (PPS) sobre o projeto “Ocupação Social” do governo do Estado: “É o Estado Presente com outro nome, inclusive terá à frente o mesmo secretário”, disse.
2 – Está aí o questionamento de uma mãe de aluno: “Como fica a situação dos alunos deficientes”. Bem lembrado. Como a Escola Viva é seletiva, será que haverá espaço para inclusão?
3 – Justiça seja feita, do lado de fora da Assembleia, apenas um deputado apareceu: o deputado José Carlos Nunes (PT).