Os deputados federais Helder Salomão (PT) e Max Filho (PSDB), embora estejam de lados opostos no jogo político nacional, paradoxalmente têm problemas parecidos para resolver na eleição deste ano: encontrar um candidato competitivo e com capilaridade para apoiar nas eleições de outubro.
Ex-prefeitos de grandes cidades do Estado, Cariacica e Vila Velha, respectivamente, ambos são considerados favoritos numa eventual disputa a prefeito. Nem o petista nem o tucano estariam dispostos a trocar a Câmara dos Deputados pelo mandato de prefeito.
As situações financeiras das prefeituras do Estado não atraem os deputados a trocarem os mandatos. Tanto Cariacica quanto Vila Velha são cidades grandes, com defasagem na arrecadação e muitas demandas sociais. Isso sem falar nos desgastes das atuais gestões, que sugere uma situação financeira desconfortável para seus sucessores.
As duas lideranças, porém, despertam o interesse das nacionais de seus partidos, já que na disputa nacional, conquistar cidades com mais de 200 mil habitantes é uma prioridade, principalmente no caso de Helder. Isso porque, o PT, desidratado no Estado e em crise nacional, tem em Cariacica uma aposta praticamente certa.
O problema é que se escolher um nome sem capilaridade, Helder pode acabar perdendo capital em vez de ganhar. Foi o que aconteceu em 2012, quando Helder apoiou a ex-deputada Lúcia Dornellas e não conseguiu que sua aliada fosse para o segundo turno da eleição em Cariacica.
A situação de Max Filho também é complicada. O deputado tentou atrair para o ninho tucano o deputado estadual Hércules Silveira (PMDB), que também é um nome muito competitivo em Vila Velha. Mas não conseguiu. Neste caso, diferentemente do PT, que precisa de uma candidatura puro-sangue, Max pode ainda apoiar Hércules, mesmo ele estando no PMDB, caso as articulações avancem.
Max e Helder precisam apresentar sucessores com chances reais de vitória para convencer as nacionais do partido a liberá-los da disputa. Uma missão, a esta altura, muito mais desafiadora para o petista.

