Sexta, 28 Janeiro 2022

Membro da Comissão da Verdade diz que preconceito, hoje, é maior do que em 64

naraborgo_perly_relatoriocomissaoverdade_heliofilho_secom Hélio Filho/Secom

O ativista e escritor Perly Cipriano, ex-preso político na ditadura militar, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro tem se revelado de maneira cada vez mais escandalosa e repressiva do que em 64. A declaração foi feita nesta quarta-feira (10), um dia depois da solenidade de entrega pelo governador Renato Casagrande (PSB) de exemplares do relatório da Comissão Estadual da Memória e Verdade "Orlando Bonfim", no Palácio Anchieta, em Vitória, e do desfile de máquinas militares promovido pelo presidente em Brasília. 

Secretária de Direitos Humanos, Nara Borgo, e Perly Cipriano na entrega do livro. Foto: Hélio Filho/Secom
"Naquela época não se falava sobre questões relacionadas à homofobia, racismo, xenofobia, enfim, os preconceitos ficavam embutidos. Agora não, Bolsonaro solta todos os preconceitos contra a religião, raça, orientação sexual, índios, e desperta um ódio na sociedade. Não apenas sobre os que estão governando, mas sobre ideias mais avançadas".

Perly lembra que o filósofo alemão Karl Marx disse que a história se repete uma vez como tragédia e a outra como farsa. "Em 64 houve a tragédia, os tanques saindo às ruas, prisões, cassação de presidentes de sindicatos, tortura, mortes e desaparecimento. Este é o primeiro momento. Agora, nós estamos vivendo uma farsa: cassaram uma presidenta sem nenhuma culpa e criaram corvos na medida em que grande parte da mídia fez campanha contra a política e facilita
 a eleição do Bolsonaro, passando pela prisão do Lula e do governo Temer".

O relatório da Comissão da Verdade mostra fatos ocorridos durante a ditadura militar instalada no país em 1964, da qual Perly foi uma das vítimas, torturado e preso durante nove anos. O trabalho é uma pesquisa e análise de diversos documentos, além de depoimentos de pessoas que foram atingidas pela repressão do regime militar no período da ditadura.
Hélio Filho/Secom

A comissão foi criada por meio da Lei nº 9.911/2012 e instalada no dia 25 de março de 2013, ainda durante a primeira gestão de Casagrande. Os trabalhos foram desenvolvidos por Agesandro da Costa Pereira (in memoriam), Eugênia Célia Raizer, Francisco Aurélio Ribeiro, Jeanne Bilich, João Baptista Herkenhoff, Júlio César Pompeu e Sebastião Pimentel Franco durante três anos e nove meses.

Perly Cipriano analisa o cenário nacional como o pior possível e aponta a cumplicidade de instituições atualmente na mira da estrutura montada por Bolsonaro para desestabilizar o país. "Criaram corvos, agora os corvos estão comendo os olhos deles", disse e cita como exemplos "os ataques à mídia de maneira plena, grosseira e criminosa; atacou a Suprema Corte e tentou desmoralizar o Congresso com a 'tanqueciada".

Para Perly, uma das formas de se combater as tiranias é resgatando as memórias. Destaca, no entanto, as limitações impostas ao trabalho da comissão, que impediram maior aprofundamento das questões, a fim de evitar repetições de fatos que representem retrocesso histórico.

O livro da Comissão da Verdade começou a tomar forma em 18 de dezembro de 2020, quando a Secretaria de Direitos Humanos (SEDH) encerrou a programação da XII Semana Estadual de Direitos Humanos. O relatório impresso consolida um pedido da Comissão, considerando sua importância histórica. 

Veja mais notícias sobre Política.

Veja também:

 

Comentários: 1

Seu Madruga em Sexta, 13 Agosto 2021 22:01

Comissão da verdade?! Kkkkkkk, leiam o livro A Verdade Sufocada aí sim saberão da verdade.

Comissão da verdade?! Kkkkkkk, leiam o livro A Verdade Sufocada aí sim saberão da verdade.
Visitante
Sexta, 28 Janeiro 2022

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://www.seculodiario.com.br/