Direita está congestionada de pré-candidatos que almejam chegar no Congresso Nacional

O deputado estadual Sérgio Meneguelli aproveitou o início da janela partidária para trocar o Republicanos pelo Partido Social Democrático (PSD), movimento que já era esperado no jogo eleitoral capixaba. Ele garante que não vai se candidatar a outro cargo que não seja o de senador, mantendo o cenário embolado no campo da direita, especialmente entre os que se articulam em torno da pré-candidatura do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos).
Em postagem nas redes sociais, Meneguelli citou encontro nessa quinta-feira (5) com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e lembrou da “rasteira” que tomou do Republicanos nas eleições de 2022, quando foi avisado na última hora que não seria mais candidato a senador. “Mas este ano, fizemos uma escolha, analisamos, analisamos a personalidade das pessoas, e ontem eu me filiei ao PSD. É um trabalho que eu já vinha construindo com o prefeito de Colatina [Renzo Vasconcelos], que é desse partido”, afirmou nesta sexta (6).
Nas últimas semanas, surgiram informações de que o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), do vice-governador (e pré-candidato a governador) Ricardo Ferraço, teria feito um convite de filiação a Sérgio Meneguelli. Entretanto, pesou a relação construída com Renzo Vasconcelos. Além do mais, Serginho seria um “corpo estranho” no grupo do governador Renato Casagrande (PSB).
Nas últimas semanas da campanha eleitoral de 2024, Renzo recebeu o apoio de Meneguelli em sua eleição para prefeito, que foi acirrada contra o então prefeito, Guerino Balestrassi (MDB). Agora, ele retribui ao dizer que o deputado estadual terá liberdade de se candidatar para o cargo que desejar, inclusive o Senado.
Com o movimento de Meneguelli rumo ao PSD, fica descartada a hipótese de o ex-governador Paulo Hartung se candidatar a senador. Resta saber quem seria o outro escolhido para compor na chapa. Um dos nomes que surgiram mais recentemente foi o do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), que teve as suas pretensões de se candidatar a governador barradas por Casagrande e cruzou a fronteira para o lado de Pazolini.
Quem também busca se consolidar como pré-candidato a senador é o deputado federal Evair de Melo (PP), um dos principais articuladores da pré-candidatura de Pazolini, e que deverá buscar outro partido após a federação União Progressista (União Brasil + PP) confirmar apoio a Ricardo Ferraço.
Apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Evair foi um dos principais propagandistas da lista vazada dos palanques do Partido Liberal (PL) – um episódio mal contado –, que colocaria dúvidas sobre a pré-candidatura de Maguinha Malta ao Senado e até mesmo de um palanque próprio do PL com Magno Malta como candidato a governador.
Talvez em resposta, figuras da extrema direita capixaba divulgaram nessa semana uma reunião de alinhamento visando uma “frente unificada” nas eleições de 2026. Entre os presentes, por parte do PL, estavam o deputado federal Gilvan da Federal – que corre o risco de ficar inelegível –, Magno Malta e o deputado estadual Callegari (DC), que se desfiliou do PL no passado justamente por falta de espaço para as suas pretensões ao Senado.
Também continua se colocando como pré-candidato a senador o vereador de Vitória Leonardo Monjardim. O Novo já estabeleceu que ele será candidato a senador em qualquer cenário, mesmo que seja uma candidatura avulsa, tendo em vista que o partido almeja ampliar sua visibilidade no Estado.
Com tantos pré-candidatos a senador que não abrem mão de suas pretensões, fica cada vez mais difícil imaginar que uma frente unificada de direita seja viável de fato no Estado.
Centro e esquerda
No campo do governador, mais vinculado ao centro-direita, o número de pré-candidatos é menor. O próprio Renato Casagrande vai se desincompatibilizar em abril para se candidatar a senador, sendo considerado o favorito na disputa. Para compor a chapa com ele, um dos nomes colocados é o do prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB).
O deputado federal Da Vitória (PP), presidente estadual da União Progressista é outro cotado para o Senado. A ex-senadora Rose de Freitas (MDB) também sonha em retornar ao Congresso Nacional, mas apresenta menos capital político atualmente.
Na esquerda, o único pré-candidato colocado é Fabiano Contarato (PT), que vai tentar reeleição. O Partido dos Trabalhadores anunciou que vai apoiar Renato Casagrande como um segundo nome, mesmo que o governador não esteja no palanque petista, mas é possível que outras siglas de esquerda, como o Partido Socialismo e Liberdade (Psol), apresentem candidaturas próprias.
Não se sabe ainda quais serão os rumos tomados pelo atual senador Marcos do Val, mas é improvável que o seu atual partido, o Podemos, apoie a sua reeleição, tendo em vista que está fechado com Casagrande.
O ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), como esperado, recuou nesta semana de uma pré-candidatura ao Senado e declarou que vai disputar vaga como deputado federal.

