Quando os deputados federais foram escolhidos pela população em 2014, boa parte da bancada chegou à Câmara com o rótulo de favorita para a eleição deste ano. Mas a mudança de cadeiras, esperada para 2017, não vai acontecer ou, pelo menos, não na quantidade que se acreditava.
Dos sete deputados cotados para a disputa deste ano, apenas três permanecem no páreo, mas o único com chances reais de vitória é o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT). Givaldo Vieira (PT) também mantém seu nome na disputa, embora parte do PT da Serra trabalhe pela ida do partido para o palanque do prefeito
Audifax Barcelos (Rede). Givaldo se mantém firme e vem discutindo com a população, mas o cenário radicalizado entre
Audifax e Vidigal diminui o espaço do petista.
Em Vitória, o deputado federal Lelo Coimbra (PMDB) é outro que segue firme na candidatura a prefeito de Vitória, mas sem apoio de seu grupo, que inclui o governador Paulo Hartung (PMDB), o peemedebista fica atrás na corrida eleitoral.
Do outro lado estão os favoritos que desistiram de disputar a eleição em seus redutos eleitorais. O primeiro foi Paulo Foletto (PSB) em Colatina, que abriu mão da disputa, abrindo caminho para o ex-secretário de Estado de Saúde, Tadeu Marino (PSB), concorrer à prefeitura. Depois foi a vez de Helder Salomão (PT), que tinha uma situação bem favorável na disputa pela prefeitura de Cariacica.
Nessa sexta-feira (8), o deputado Jorge Silva (PHS), anunciou que também não vai disputar o pleito em São Mateus, norte do Estado. O deputado Max Filho (PSDB) ainda não oficializou sua saída do pleito em Vila Velha, mas a expectativa é de que ele não entre mesmo na disputa.
Tanto os motivos quanto as justificativas para que os deputados federais não disputem a eleição municipal são semelhantes. Com as prefeituras em grave crise política e econômica, não é bom negócio assumir uma gestão municipal no momento. O novo modelo de financiamento de campanha também não atrai os parlamentares, mesmo estando com vantagem na eleição.
Outro fator, mas isso os parlamentares não falam, é a pressão que vêm sofrendo do eleitorado sobre o posicionamento dos deputados em relação ao processo de impeachment da presidente Dilma.
Para justificar suas decisões, eles alegam que o trabalho desenvolvido na Câmara é mais importante para o Estado e para o País neste momento. Uma vez fora da eleição deste ano, os deputados federais estão automaticamente na disputa pela reeleição para a Câmara e aí a situação pode ser bem diferente. Primeiro, porque o eleitorado que esperava que os deputados disputassem a eleição este ano pode se decepcionar, depois, o futuro do governo interino de Michel Temer também pode influenciar, principalmente no destino dos deputados que votaram pelo afastamento de Dilma.