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Mesmo fora das eleições, Max Filho tem peso no processo político de 2018

A exclusão do prefeito de Vila Velha, Max Filho (PSDB), da disputa ao governo do Estado mantém as eleições deste ano no círculo do governador Paulo Hartung e do ex-governador Renato Casagrande (PSB), pré-candidato declarado, mas não retira o peso que ele representa no processo eleitoral deste ano. 
 
Com aceitação em alta no segundo maior colégio eleitoral do Espírito Santo e bem qualificado no mercado político, Max Filho conta com seu candidato ao Senado, o deputado estadual Sergio Majeski (PSB), para construir uma plataforma política diferenciada do quadro atual.
 
Não foi à toa que na coletiva de imprensa em que anunciou a desistência da candidatura, ele evitou citar apoio a candidatos ao governo. Na realidade, suas articulações buscam encontrar um equilíbrio que permita o apoio a Majeski de uma forma mais independente. 
 
No círculo da gestão pública atual, desenhado há décadas, as ações se desenvolvem visando unicamente a lucratividade do ponto de vista empresarial, objetivo que sempre é alcançado pela facilidade com que os gestores cedem às pressões do corporativismo empresarial, substituto do papel do Estado na condução da gestão pública. 
 
É sob essa ótica que se explicam políticas públicas que permitem e até incentivam com benefícios de ordem fiscal e tributária a expansão do chamado deserto verde, alimentando a monocultura do eucalipto, a poluição provocada por grandes empresas e a omissão sobre a questão das rodovias estaduais, só para citar alguns exemplos.
 
Com a exclusão de Max Filho, Hartung elimina eventuais embaraços e, por tabela, beneficia seu opositor Casagrande, porque ambos são da mesma matriz de gestores, conforme já comprovado na prática, tanto na atual gestão como na anterior, de Casagrande. Com a senadora Rose de Freitas (MDB) na disputa ao governo, da mesma forma, não haverá alterações no processo.
 
Os movimentos de Hartung conseguiram impedir a candidatura de Max Filho e demonstram que ele abateu um adversário com reais chances de construir uma plataforma diferente e apresentá-la durante a campanha eleitoral como algo novo. Com isso, haveria a chance de se ter pelo menos algumas alterações fora desse eixo na gestão pública estadual. Não ocorreu como era esperado.
 
No entanto, com a entrada em cena do candidato ao Senado, Sergio Majeski, haverá um equilíbrio de forças, pelo menos entre os concorrentes ao Senado, declaradamente quatro até agora: Majeski, Magno Malta (PR), que tenta a reeleição, Amaro Neto (PRB) e Fabiano Contarato (Rede). 
 
Há ainda o senador Ricardo Ferraço (PSDB), do bloco de Hartung, que pode ser colocado como vice na chapa do governador, levando em conta que o ex-secretário-chefe da Casa Civil, José Carlos da Fonseca Filho, Zé Carlinhos, cotado para esse cargo, vai sair para a Câmara Federal, ou como suplente de uma chapa ao Senado. 
 
No PRB, controlado por Hartung, o candidato ao Senado é bom puxador de votos. Amaro Neto terá que carregar o peso de um partido com candidatos de baixa densidade eleitoral e ainda encontrar pela frente oponentes como Majeski e Magno Malta, que, mesmo em baixa, ainda possuem musculatura para alcançar uma boa votação, com suas ações oportunistas que alcançam o público evangélico desinformado. 
 
A janela partidária que se fecha neste sábado (7) dará uma visão mais clara do quadro político deste ano. No entanto, as perspectivas que se abrem indicam a manutenção do mesmo círculo de influência externa na máquina pública, tanto com Hartung quanto com Casagrande, mas com o esboço de uma oposição, que poderá se fortalecer para o futuro próximo.

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