Na última sexta-feira (4), depois de dias de ocupação em mais de 190 escolas da rede estadual de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) voltou atrás no projeto de “reorganização” da educação no Estado, que consiste em fechar turma e escolas para otimizar o serviço prestado e diminuir os gastos. A situação é bem parecida com a que está acontecendo no Espírito Santo, ainda em escala mais embrionária, mas que já vem causando muita indignação e revolta entre alunos, pais e professores.
O agravante no Estado, segundo os profissionais da área, é que as medidas do governo estão sendo feitas silenciosamente, sem chamar a atenção, para evitar a reação da comunidade escolar, evitando assim a situação a reação que vem ocorrendo em São Paulo, que por ora inviabilizou os planos do governo paulista. Mas as investidas dos últimos dias, com a não abertura de matrícula em muitas escolas no Espírito Santo têm começado a mobilizar a comunidade escolar e pode trazer problemas políticos para o governador Paulo Hartung (PMDB).
Hartung se elegeu com a bandeira da educação. O projeto Escola Viva prometia ser uma solução para melhorar a qualidade no ensino. Mas a estratégia da Secretaria de Estado da Educação (Sedu), desde o início do ano, priorizou os cortes de gastos. Para enxugar a máquina, o governo precisa reduzir as verbas para as escolas. Isso seria possível reduzindo o número de turmas; demitindo professores e até o fechando escolas e transferindo os alunos para outras unidades.
A justificativa dessas medidas que estão acontecendo em outros estados também é que houve um decréscimo no número de alunos e que algumas escolas estão com um contingente baixo de estudantes. A transferência seria uma forma de racionalizar a relação entre vagas e alunos. Mas essas modificações não têm levado em conta a importância social das unidades escolares para as comunidades.
Na última sexta-feira (5), os estudantes da escola Maria Ericina Santos, localizada no Centro de Vitória, fizeram mais uma manifestação contra o fechamento da escola. O governo quer o remanejamento das turmas para a escola “Major Alfredo Pedro Rabaioli”, que atualmente funciona improvisada nas instalações do Sambão do Povo.
A escola Maria Ericina fica em uma área de risco social e muitos alunos não podem transitar nas imediações do Sabão por causa da guerra do tráfico na região. Essas questões não estão sendo consideradas pela Sedu momento de implementar o projeto de reorganização da rede.
A situação é grave também no interior do Estado. Na última quinta-feira (3) aconteceu um debate com pais, alunos e lideranças políticas na escola Santina Modenese Cupertino, que fica no bairro Canivete, em Linhares.
A promotora Maria Cristina Pimentel ouviu as queixas da comunidade escolar sobre o fechamento da escola, que hoje atende diversos alunos que cursam o ensino médio e dependem desta instituição na região. Os alunos da escola também prometem fazer manifestação no município caso a escola seja fechada, já que muitos consideram a unidade referência para a comunidade.
Ao mesmo tempo em que fecha escolas, o governo vem tentando implantar novas unidades do programa Escola Viva em unidades da rede. Em Colatina, os alunos continuam mobilizados para evitar que a Escola Conde de Linhares, que fica no Centro, receba o programa. Em audiência pública e atendendo o edital da Secretaria de Educação, a comunidade escolar rejeitou o Escola Viva. Pais e alunos preferem manter os cursos profissionalizantes que são oferecidos atualmente pela escola.
A situação ficou tensa depois do último dia 27, quando acabou o prazo para as matrículas na rede e as vagas para o Conde de Linhares não foram lançadas no sistema da Sedu. Mesmo assim, alunos do nono ano do ensino fundamental têm sido assediados para se inscreverem no Escola Viva de Colatina. Para os pais e alunos, o governo quer implantar o programa à revelia da decisão da comunidade escolar. Nas três escolas, houve provocação ao Ministério Público para que garanta o direito dos estudantes em fazer as matrículas nas escolas que escolheram. E em todas prevalece o clima de tensão: de um lado a comunidade escolar reivindicando a manutenção das escolas e de outro o governo pressionado para fechar turmas ou impor o Escola Viva.

