Presidente do Novo no Estado, Iuri Aguiar fala sobre as pretensões do partido em 2026

“Essa é uma decisão tomada, não vamos recuar. Nem que a gente faça uma candidatura avulsa [sem coligações], [Leonardo] Monjardim é candidato ao Senado”. A afirmação é de Iuri Aguiar, presidente do partido Novo no Espírito, em entrevista para Século Diário, na qual tratou dos planos da sigla para as eleições de outubro deste ano.
Ao longo de 2025, o vereador de Vitória reforçou a sua pretensão de se manter na disputa pelo Senado Federal no Espírito Santo, que está abarrotada de pré-candidatos atualmente. Inclusive, em novembro, foi feito o lançamento da pré-candidatura de Monjardim em Vitória, com a presença do governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato à Presidência da República pelo Novo. De acordo com Iuri Aguiar, a intenção é aumentar a visibilidade do partido no Estado.
“Por termos um quadro à altura do Leonardo Monjardim, decidimos lançá-lo ao Senado, porque é uma maneira de a gente mostrar que estamos estruturados aqui no Espírito Santo”, explica. Em 2022, o Novo lançou apenas dois candidatos: Aridelmo Teixeira para governador e Patricia Bortolon para deputada federal. A sigla ganhou mais corpo em 2024, tendo conseguido eleger um vice-prefeito no Estado: Júnior Corrêa, de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado).
Iuri Aguiar destaca que o Novo trabalha com metas “como numa empresa privada”. Um dos objetivos principais do partido no Estado é oferecer palanque para a candidatura de Romeu Zema à Presidência da República. O outro é vencer a cláusula de barreira, uma vez que a sigla, que foi fundada a partir de um discurso ultraliberal, abandonou a restrição de uso do Fundo Partidário.
A cláusula de barreira estabelece alguns critérios de desempenho para que as siglas continuem acessando o Fundo Partidário: eleição de pelo menos 11 deputados federais, distribuídos em, pelo menos, nove estados; ou a obtenção de, no mínimo, 2% dos votos válidos nas eleições para a Câmara dos Deputados, distribuídos em, ao menos, nove unidades da Federação, com um mínimo de 1% dos votos válidos em cada um deles.
Sendo assim, o Novo está mirando, principalmente, a Câmara dos Deputados. “A gente entende que é difícil eleger um deputado federal, mas nós estamos trabalhando para isso”, afirma Iuri. Este ano, portanto, o partido terá chapa completa para deputado federal (11 candidatos) e deputados estadual (31 candidatos). Os nomes estão escolhidos, mas o presidente estadual da sigla prefere manter segredo.
No ano passado, o Novo perdeu uma de suas lideranças com maior capital político no Espírito Santo: Aridelmo Teixeira, ex-secretário de Fazenda e de Governo na gestão do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que migrou para o Partido Social Democrático (PSD), mesmo destino do ex-governador Paulo Hartung. Existe ainda a possibilidade de Júnior Corrêa também deixar o partido em busca de uma sigla mais alinhada ao grupo do governador Renato Casagrande (PSB), segundo informações de uma fonte que acompanha as articulações políticas estaduais.
‘Queremos tirar o PT do poder’
Em Vitória, Leonardo Monjardim é da base do prefeito Lorenzo Pazolini na Câmara de Vereadores. No entanto, o Novo ainda não decidiu se vai apoiar a pré-candidatura de Pazolini a governador ou se vai sustentar uma candidatura própria. Iuri afirma que, durante o ano passado, conversou com todas as lideranças de direita e centro-direita, mas tudo segue em aberto por enquanto.
“A gente sabe de uma coisa: queremos tirar o PT do poder. Com muito respeito, muito trabalho, e mostrando o que a gente tem de proposta. A gente não é um partido de esquerda. Não quero que entendam isso como arrogância. A gente quer alguém de centro-direita gerindo o nosso país”, comenta Iuri.
A nível nacional, é especulada a possibilidade de Romeu Zema entrar como vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o pré-candidato a Presidência dos bolsonaristas. Nesse cenário, Leonardo Monjardim e Maguinha Malta (PL) poderiam formar uma chapa para o Senado Federal.
Por enquanto, porém, a frente de oposição de direita no Estado segue dividida.

