Se nessa quarta-feira (30) o movimento dos deputados contrários à quarta recondução de Theodorico Ferraço (DEM) à presidência da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa contabilizava oito parlamentares, em 24 horas esse número cresceu consideravelmente. Nas contas de bastidores, já se estima que ao menos metade do plenário da Casa aderiu ao movimento anti-Ferraço. Os 15 deputados estão preocupados com a continuação de uma restrita articulação entre os poderes, sobretudo com o Executivo, que se concentra na figura do demista.
A ideia que ganha força na Assembleia é a de afastar Ferraço do controle político do Legislativo, o que ampliaria o espaço de movimentação dos demais deputados, que, diga-se de passagem, começam a preparar o caminho com vistas na próxima eleição. Eles sabem que esses dois últimos anos de mandato são estrategicos para as pretensões eleitorais daqueles que pretendem ter sucesso nas urnas em 2018.
Como Ferraço vem desenrolando os problemas do governador Paulo Hartung (PMDB) no plenário, o governo tem preterido o diálogo com o restante dos deputados. Os parlamentares, porém, se queixam que não são atendidos pelos secretários, porque não precisam negociar com o plenário, sabendo que o presidente da Casa tem condições de driblar qualquer problema que o Executivo encontrar na aprovação de projetos ou de enfrentamento de demandas parlamentares.
A gota d’água para os deputados teria sido a negociação das emendas parlamentares no Orçamento de 2017. O valor da peça de 2016 foi cortado em R$ 700 mil para a maioria dos deputados, o que já havia causado muita critica no plenário. Já no montante do ano que vem, o valor havia caído de R$ 1,2 milhão para R$ 1 milhão e, agora, acrescido de R$ 200 mil novamente. Mas tudo isso foi conversado apenas com o presidente da Casa, e com o presidente da Comissão de Finanças, Dary Pagung (PRP), por mera contingência do cargo. Os demais deputados foram apenas comunicados da decisão fechada por cima.
Outro grande problema na recondução de Ferraço é sua bagagem pessoal. Os interesses negociados pelo presidente da Assembleia incluem, além dos seus próprios interesses, as acomodações do filho, o senador Ricardo Ferraço (PSDB) e da mulher, Norma Ayub (DEM), que deve ocupar a cadeira de Max Filho (PSDB), eleito prefeito de Vila Velha. Neste sentido, o presidente da Assembleia mantém as conversas neste universo, deixando de fora os interesses dos outros 29 parlamentares da Assembleia.
Na tentativa de apagar incêndios no Legislativo, o governo tem colocado a interlocução com os deputados nas mãos dos emissários da Casa Civil, o secretário-chefe Zé Carlinhos da Fonseca Júnior e Roberto Carneiro, o que tem ajudado na construção de um diálogo, mas não resolve a negativa dos deputados à recondução de Ferraço.
Sem candidatos
Se não querem Ferraço, outros nomes ligados ao governo também estão longe de agradar. Pagung é tido como um candidato que teria um papel também muito alinhados ao governo, assim como Gildevan Fernandes (PMDB), o que não garantiria uma posição de proteção dos interesses dos deputados.
Outro nome que foi colocado é o do secretário de Assistência Social, Rodrigo Coelho (PDT), que está retornando para o mandato de deputado. Ele teria se “queimando” ao antecipar sua movimentação, antes mesmo do retorno, sondando os colegas sobre a possibilidade de comandar a Casa.
Se os nomes já cogitados não agradam, os deputados ainda não discutiram quem poderia ser o representante do grupo anti-Ferraço. Esse processo deve se afunilar no recesso para convergir em um nome que concentre as características que o grupo vem procurando no representante. Outra discussão que também deve aquecer o debate são os outros cargos da Mesa. Como o movimento para a antecipação da eleição foi abortado, a eleição da nova Mesa Diretora da Assembleia deve acontecer em fevereiro do próximo ano.