Quando o governador Paulo Hartung (PMDB) fazia movimentos em direção ao PSDB capixaba, no primeiro semestre, a observação de algumas lideranças políticas é a desagregação que essas investidas estavam causando no ninho tucano. Mas pelo jeito, a questão não é exclusiva do tucanato.
Ao ser convidada pelo presidente em exercício Rodrigo Maia para participar da agenda dele no Espírito Santo, nesta sexta-feira (1), a deputada federal Norma Ayub recusou. O mesmo fez o marido, o deputado estadual Theodorico Ferraço. Os dois demistas disseram que até se encontrariam com Maia, mas longe da presença de Hartung.
Antes mesmo do flerte de Hartung com a nacional do DEM , o clima entre Ferraço e o presidente licenciado do partido no Estado, Rodney Miranda, secretario de Desenvolvimento Urbano, já não era dos melhores. A partir do desentendimento de Ferraço com Hartung, que teve como estopim o movimento para evitar sua reeleição para a Presidência da Assembleia.
A diferença entre o DEM e o PSDB é que no ninho tucano há uma resistência de grande parte da Executiva à entrada do governador, no sentido de proteger as lideranças que vão disputar a eleição do ano que vem, sobretudo, o senador Ricardo Ferraço e tentar manter no partido o deputado estadual Sérgio Majeski.
No DEM, a cúpula do partido no Estado não tem essa resistência. Rodney se licenciou da presidência para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado, mas o partido está sendo conduzido pelo ex-deputado estadual Atayde Armani, que também é aliado do governador. A questão é que o partido tem apenas cinco prefeitos no estado e as lideranças com mandatos fortes, são justamente Norma Ayub na Câmara e Theodorico Ferraço na Assembleia.
Como Ferraço está determinado a deixar o partido se Hartung entrar, será necessário que ele realmente cumpra o prometido à cúpula nacional do partido, de levar com ele deputados federais para suprir a lacuna com a saída de Ferraço e da mulher.

