O cenário político de Linhares, no norte do Estado, está cada vez mais complicado desde que o presidente da Câmara de Vereadores, Miltinho Colega (de saída do PSDB) resolveu assumir sua movimentação para a disputa pela prefeitura em 2016. Isso porque, essa movimentação tem sido feita de forma independente dos encontros com o grupo do prefeito Nozinho Correa (PP).
Em junho passado, Colega perdeu o controle do ninho tucano e passou a conversar com outros partidos. Recentemente ele se reuniu com o ex-prefeito José Carlos Elias e pediu filiação ao PTB, partido que Elias comanda no Estado. O vereador pediu abrigo na sigla para construir seu palanque à prefeitura.
Elias teria agido com cautela, já que ainda falta muito tempo para a eleição e o ex-prefeito tem outros interesses em jogo. Elias é candidato a deputado federal em 2018 e precisa articular apoios para a disputa. Ele tem afirmado que não vai entrar na eleição negociando a vaga de vice, por exemplo.
Neste sentido, o que impediria o acordo é a intransigência do vereador em disputar a prefeitura. A ideia é de que se o deputado estadual Guerino Zanon (PMDB) não puder entrar na disputa eleitoral do próximo ano – sob a batuta de Colega, a Câmara rejeitou as contas do peemedebista no início do ano –, todos os outros nomes cotados para o pleito teriam o mesmo peso político, o que abriria as portas para o vereador que tem a máquina da Câmara nas mãos.
As movimentações de Miltinho Colega não agradaram os secretários municipais com quem ele vinha conversando nos últimos tempos. O vereador vinha sendo cotado para a sucessão de Nozinho Correia, com um apoio velado do prefeito.
Em desgaste político, o prefeito não poderia subir no palanque do vereador porque isso prejudicaria essa manobra. Mas as conversas do tucano com outras lideranças geraram desconfiança entre os aliados do grupo do prefeito e a situação é vista hoje como um racha, que pode desandar toda a costura no município.