As delações premiadas dos executivos da Odebrecht Sérgio Luiz Neves e Benedicto Júnior mostraram que a Odebrecht não esperava a mudança na chapa majoritária de 2010 no Espírito Santo. Na declaração de Neves, ele afirma que a expectativa era de que o governador se lançasse ao Senado e apoiasse seu então vice-governador, Ricardo Ferraço na disputa à sua sucessão no Palácio Anchieta.
“Foi uma surpresa a mudança repentina do Hartung, que, em tese, iria lançar o Ricardo Ferraço ao governo, mas deixa de fazer isso e lança o Casagrande”, afirmou Neves na delação. A entrada de Casagrande na disputa não estava na programação da empresa e pegou os executivos de surpresa, assim como o mercado político à época.
A mexida na chapa, que ficou conhecida como “abril sangrento” mudou o cenário político do Estado. Até aquele momento, Casagrande vinha construindo uma campanha isolada e vinha crescendo na disputa. Hartung naquele momento, desafeto de Magno Malta (PR) teria evitado o confronto com o republicano e preferiu não disputar a eleição.
Com a mudança, o próprio Ferraço teria, segundo o delator, buscado apoio à sua candidatura com os executivos da empreiteira. “Então, o nosso apoio é à candidatura de Ricardo Ferraço ao Senado. Foi solicitada uma reunião, e, por coincidência, tinha um evento lá no Centro de Convenções de Vitória, que o Ricardo Ferraço ia participar e eu também participei. Então, a reunião foi feita lá no Centro de Convenções, numa salinha anexa que o assessor do Ricardo Ferraço havia designado e, nessa oportunidade, o Ricardo Ferraço nos fez a solicitação de apoio à campanha dele para o Senado, explicou esse contexto todo desse grupo político do Hartung” , disse o delator .
Por ter foro privilegiado, o senador Ricardo Ferraço (PSDB) está na lista de autoridades contra as quais o ministro-relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin determinou a abertura de inquérito. O pedido de inquérito foi feito com base nas informações passadas pelos delatores de que o teriam repassado de R$ 400 mil para a campanha de Ferraço, que na planilha da Odebrecht era chamado de Duro, ao Senado em 2010.

