O deputado estadual Josias da Vitória, o Da Vitória (PDT), sinaliza que deve mesmo se filiar ao PPS. Nesta quarta-feira (17), o convite foi reforçado pela cúpula do partido no Espírito Santo, com a garantia da candidatura a deputado federal, que, segundo ele, não tem no PDT. “Não vou caminhar com o governador nem ao lado de quem ele apoiar”, completou, disparando na direção de Paulo Hartung.
Os prefeitos de Vitória, Luciano Rezende, e de Cariacica, Juninho, almoçaram nesta quarta com o deputado e deram prosseguimento a entendimentos que já vinham sendo feitos, inclusive com o presidente da sigla, deputado federal Roberto Freire, e o senador Cristóvão Buarque, em Brasília.
“Existe a pré-disposição de aceitar o convite, que muito me honra, mas ainda tenho que manter entendimentos com a senadora Rose de Freitas [PMDB] e o ex-governador Renato Casagrande [PSB]”, afirma o deputado.
Da Vitória havia consolidado em todo Estado suas bases, que garantiriam uma acomodação confortável para a disputa de federal neste ano. Mas depois da greve da Polícia Militar, quando se tornou o principal porta-voz da categoria, caiu na linha de tiro do governador e passou a ser figura indesejada nos círculos do Palácio Anchieta.
Para Luciano Rezende e Juninho, a filiação de Da Vitória soluciona a cobrança do Diretório Nacional do PPS de ter um membro do partido na bancada federal capixaba. Para Luciano, mais ainda: como ele está preparando seu secretário de Administração, Gestão, Planejamento e Comunicação, Fabrício Gandini (PPS), para sua sucessão, mantê-lo no Estado e próximo do eleitorado é mais estratégico do que incensar sua candidatura à Câmara dos Deputados.
Da Vitória disse que o relacionamento partidário com o PDT, que no Espírito Santo é comandado pelo deputado federal Sérgio Vidigal, vem se deteriorando há algum tempo e citou que foi voto vencido contra a coligação com o PT, em 2014. “O PPS me dá mais segurança”.
A decisão do deputado vai de encontro à constatação do mercado político do final do ano passado, na época da disputa do PDT no Estado. Depois de ensaiar enfrentar o deputado federal Sérgio Vidigal internamente, Da Vitória chegou ao acordo que reconduziu o ex-prefeito da Serra ao comando do PDT no Estado. O acerto colocava Da Vitória como candidato à Câmara junto com Vidigal, aproveitando-se da votação expressiva do deputado, que foi o mais votado na última eleição, com previsões de repetir o bom desempenho na busca pela reeleição em outubro deste ano.

