Quinta, 27 Janeiro 2022

'Nenhuma mulher que está na política pode dizer que não sofreu violência'

iriny_lopes_2_tatibeling_ales Tati Beling/Ales

Foi aprovado na Assembleia Legislativa, nesta quarta-feira (6), o Projeto de Lei 123/2021, de autoria da deputada estadual Iriny Lopes (PT), que institui o Dia Marielle Franco de Enfrentamento à Violência Política contra Mulheres, Negras, LGBTQIA+ e periféricas, a ser celebrado, anualmente, no dia 14 de março. "Nenhuma mulher que está na política pode dizer que não sofreu violência. Queremos que o projeto de lei se transforme em um instrumento para os movimentos sociais, principalmente os que representam esses segmentos, e que façam mobilizações e outras atividades de enfrentamento a esse tipo de violência", diz a parlamentar.

O dia 14 de março foi escolhido por ser a data na qual a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (Psol), e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados. Segundo Iriny, a ideia é que a data seja marcada, por exemplo, por atos, passeatas e outras atividades de denúncia. "São ações que têm o intuito de garantir direitos políticos fundamentais, o dever do estado de proteger as pessoas envolvidas nesse processo", explica.

Os segmentos contemplados, ressalta a deputada, estão excluídos historicamente da política, sendo um dos motivos o histórico de violência vivido por eles. Na justifica de seu projeto, Iriny destaca que a pesquisa "A Violência Política contra Mulheres Negras", do Instituto Marielle Franco, mostra que quase 100% das candidatas ao pleito eleitoral de 2020 consultadas sofreram mais de um tipo de violência política. Além disso, 60% delas foram insultadas, ofendidas e humilhadas em decorrência da sua atividade política nessas eleições.

Iriny salienta que todas mulheres, sem exceção, sofrem violência na política, entretanto, as mulheres negras, da comunidade LGBTQIA+ e periféricas passam por isso com mais intensidade. "Isso faz parte da cultura brasileira. Não tem uma mulher que não possa dizer 'eu nunca fui hostilizada', mas tem esse extrato que sofre mais. A política é o retrato da sociedade, e a sociedade é assim, extremamente agressiva com esses grupos", relata.

A parlamentar relata que em sua trajetória na política sofreu e ainda sofre violência por ser mulher. "Dói, não adianta dizer que não dói. Eu valho tanto quanto um homem, tenho a mesma inteligência e capacidade, não mereço ser tratada de modo diferente", defende.

Entre as violências já sofridas por ela, recorda Iriny, estão "brincadeiras jocosas", "que vão desde o baixíssimo nível à sutileza", e que se tornam mais sérias quando ela enfrenta o debate, culminando em "palavras ofensivas". Outra forma de violência, relata, é ignorá-la em ambientes públicos como figura pública, em uma tentativa clara de invisibilizá-la.

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