PH convocou o seu “novo” homem-bomba, o deputado estadual Dary Pagung (PRP), para ver se ele consegue, na CPI dos Empenhos, jogar para dentro o ex-governador Renato Casagrande (PSB), que ficou de fora graças ao relatório de Euclério Sampaio (PDT), frustrando o objetivo do atual governador de torná-lo inelegível na disputa pelo governo do Estado, em 2018.
O desfecho da CPI é primordial para que o atual governador leve adiante a sua estratégia de manutenção do controle absoluto do jogo político. Pelo qual teria, entretanto, que acomodar os senadores Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB), além do seu vice-governador, César Colnago (PSDB). Pois sem Casagrande na disputa em 2018, PH pode tanto disputar o governo como o Senado.
Se Hartung decidir disputar o governo, não haverá grandes problemas com as reeleições de Magno e Ricardo. Pelo menos, aparentemente. Mas os seus pares mais chegados, acham que a reeleição seria uma fria diante da situação das finanças do Estado. Faz sentido, PH já passa por um sufoco neste atual período de governo, e esse sufoco tem tudo para ser triplicado caso ele se reeleja em 2018. Agora, se ele optar pelo Senado, vai esbarrar na reeleição de Magno e do Ricardo, com os quais tem compromisso assumidos.
Em caso de optar pelo Senado, qual dos dois senadores, então, cederia a vaga a ele. O Magno Malta, vira e mexe, diz que não tem vocação para cargos executivos. Mesmo que tivesse, jamais seria candidato ao governo. O Ricardo, ao contrário, seria com certeza. Mas PH tem longa experiência de dominação sobre ele, especialmente quando o assunto é a disputa ao governo. Ricardo nunca mais vai se esquecer da rasteira que levou de PH em 2010, quando foi preterido de ser o candidato palaciano aos 45 do segundo tempo.
Mas a coisa não passa só pelos senadores do sistema PH. Tem uma liderança que mexe bem com a política numa posição decisiva, César Colnago. Alguém pode imaginar PH deixar o governo para disputar o Senado nas mãos de Colnago? Nessa circunstância, ele é o candidato natural ao governo.
Mas não parece que PH reconheça essa linha sucessória com Colnago. Pois, praticamente, tirou o tucano da vitrine do governo, que ele andou frequentando nos primeiros meses. As chances então seriam mais para o Ricardo Ferraço? Seria?
Tratando-se de PH, é justo desconfiar que com todo o risco de uma reeleição (sem Casagrande, naturalmente) de um governo quebrado, mesmo assim, o poder não deixará de estar com ele. O Senado oferece vantagens, mas nenhuma delas dizem respeito ao poder.
Mas para quem está acostumado a contar com o poder em suas mãos, é difícil acreditar que PH possa abrir mão dele. Não podemos esquecer que tudo isso dependerá diretamente do ex-governador Renato Casagrande fora ou dentro disputa para o governo.
É só consultar o Facebook do socialista e compará-lo ao de PH. Em matéria de público (espontâneo), Casagrande dá uma goleada em PH, mesmo debaixo dessa saraivada de balas que vem do Palácio Anchieta.
São evidências que comprovam que o futuro de PH está na decisão que for dada na CPI do Empenho da Assembleia Legislativa, que poderá criar as condições políticas para o Plenário reprovar as contas do ex-governador e deixá-lo de fora da disputa em 2018, o que seria um adianto e tanto para os planos de Hartung.

