O clima foi apaziguador na primeira sessão ordinária da Câmara da Serra nesta quarta-feira (2), após a polêmica sobre a eleição da Mesa Diretora da Casa. Os embates começaram no dia primeiro de janeiro deste ano, durante a sessão que deu posse aos vereadores eleitos e escolheu a nova Mesa.
O tumulto foi tão grande que a eleição de Neidia Pimentel (PSD) para a presidência da Câmara foi judicializada por três vereadores de oposição ao prefeito Audifax Barcelos (Rede). A vereadora chegou a ser afastada pela Justiça. O vereador Rodrigo Caldeira (Rede) chegou a assumir a presidência, mas uma nova decisão da Justiça reconduziu Neidia à presidência da Mesa Diretora.
No retorno do recesso parlamentar havia expectativa nos meios políticos locais de que a tensão entre os vereadores pudesse se acirrar. Mas o experiente vereador Luiz Carlos Moreira (PMDB) se encarregou de puxar o discurso da conciliação.
A sessão, que durou pouco mais de meia hora foi tranquila. A presidente ao fazer a chamada dos vereadores deu ênfase aos seus dois vices, em um tom mais forte, o que soou como provocação. Moreira, porém, pediu a palavra em questão de ordem para voltar a pedir a paz.
O vereador afirmou que não estava no Estado e acompanhou o processo de longe, mas entendeu como legítima a movimentação do vereador Rodrigo Caldeira para ocupar o cargo que fora vago com a decisão judicial, que esse é um movimento normal dentro do legislativo. Ele pediu ainda que os colegas deixem o episódio para trás e pensem nos projetos que beneficiam a população.
Neidia Pimentel se disse tranquila e que buscava a harmonia na casa desde janeiro, quando aconteceu a tumultuada eleição, alvo da ação judicial impetrada por três vereadores — Nacib Hadad (PDT), Pastor Ailton (PSC) e Aécio Leite (PT). Neidia agradeceu “a cada um” dos vereadores, mas fez questão de marcar o território. “Estou presidente, fui eleita para ser presidente”, afirmou.
Moreira usou a tribuna da Casa para reafirmar o pedido de harmonia e unidade em torno dos projetos para o município e destacou que o episódio serviu para que a Câmara se detenha melhor nos debates e que mesmo divergindo, os vereadores busquem unidade e o debate para o consenso sobre as questões internas.
A fala de Moreira parece ir no cerne das ações na Casa, isso porque os três vereadores que moveram o processo para anular a sessão não parecem mais dispostos a dar sequência à queda de braço judicial. O prefeito Audufax e seu adversário Sérgio Vidigal (PDT) também tentam passar a impressão de distância do debate para evitar uma antecipação desnecessária de embate político.

