Embora tenha aprovado a saída do governo Paulo Hartung (PMDB), o Congresso do PT reservou uma surpresa para a noite deste sábado (6), final do evento. Por 128 a 122, o atual presidente do PT, João Coser, foi reeleito para comandar o partido no Estado. A votação foi secreta e o grupo do deputado federal Givaldo Vieira, que tinha maioria dos delegados, deve recorrer da decisão.
Com a reeleição de Coser, a definição de deixar o governo Paulo Hartung, tomada no início da noite, corre risco, afinal, ele é um dos defensores da permanência do partido na base do peemedebista. Também defende a ideia o deputado José Carlos Nunes, que encabeçou outra chapa na primeira fase da disputa, mas se uniu a Coser para derrotar Givaldo Vieira nesta segunda etapa.
O grupo defendia que a saída do governo Paulo Hartung lançaria o PT em um isolamento político, impedindo-o de disputar as eleições em 2018. Uma argumentação contestável por grande parte da base. Em 2016, mesmo estando no governo, o partido teve um desempenho muito aquém do esperado, conquistando apenas uma prefeitura no Estado, em Barra de São Francisco, no noroeste do Estado.
Coser e seus aliados comandam o PT desde o início do governo Paulo Hartung. Neste mandato, Coser se afastou da presidência para assumir a Secretaria de Estado de Habitação e Desenvolvimento Urbano, deixando a presidência do PT nas mãos do ex-deputado Genivaldo Lievori. O presidente do partido reeleito, comemorou a vitória ao lado do secretário estadual de Assistencia Social do Estado, Carlos Casteglione, que também faz parte do grupo que defende a permanência na base. Ele assumiu a secretaria após encerrar o mandato de prefeito em Cachoeiro e Itapemirim, no sul do Estado.
Coser, na primeira votação, saiu em terceiro lugar, depois da recontagem dos votos pela Nacional do Partido. Ele ficou com 53 delegados para o Congresso e se uniu a Nunes, que elegeu 71 delegados. Ficaram, então, com um delegado a mais que a chapa de delegados de Givaldo, que elegeu 123. Givaldo ganhou o apoio do grupo minoritário do partido, ligado à corrente O Trabalho, que conseguiu três delegados para o Congresso.
A expectativa era de que Givaldo vencesse por dois votos de diferença. A votação da saída do governo, que foi aberta, mostrava esse placar. Mas com a votação secreta, a história foi diferente. Nos bastidores, os comentários são de muitas movimentações de última hora para cooptar os delegados e garantir a maioria na votação. Segundo o petista histórico Perly Cipriano, apoiador da chapa de Givaldo, a reeleição de Coser está sob suspeição e o grupo deve recorrer da decisão dos delegados à Nacional.

