Primeira-dama terá imbróglio jurídico; secretária de Saúde vai retornar para Câmara

A primeira-dama de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), Norma Ayub (PP), foi exonerada nesta terça-feira (24) do cargo de assessora especial de Governo da Secretaria Municipal de Governo e Planejamento Estratégico (Semgov). O Diário Oficial também publicou a saída de Renata Fiório (PP) da Secretaria de Saúde, que vai retornar à Câmara de Vereadores. Ambas pretendem disputar as eleições de outubro deste ano.
Norma Ayub lançou pré-candidatura a deputada estadual em janeiro passado, mas há um porém. Seu enteado, Ricardo Ferraço (MDB), vai assumir o cargo de governador no próximo dia 2. Isso porque, de acordo com a Constituição Federal de 1988, “são inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do presidente da República, de governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição”.
Conforme divulgado por Século Diário em janeiro deste ano, uma eventual candidatura de Norma Ayub poderia, portanto, gerar problemas para toda a chapa de deputados de seu partido. O advogado Marcelo Nunes, especialista em Direito Eleitoral, destacou, na ocasião, que o objetivo da regra é evitar o uso da máquina pública para eleger candidatos. “Ela poderia até ser considerada como uma candidata ‘laranja’. Então, não só a candidatura dela, como de toda a chapa do partido, correria o risco de ser impugnada. Mesmo que ela não seja eleita, outro candidato eleito pela sigla poderia perder o mandato”, explicou.
Questionada nesta terça-feira, Norma Ayub afirmou, em nota, que, “em relação ao suposto impedimento citado, não há precedente semelhante que o sustente. O que existe são interpretações, sem respaldo em casos concretos equivalentes”. A primeira-dama destacou ainda que cumpriu o rito de desincompatibilização para se dedicar à construção de sua pré-candidatura a deputada estadual, e “as demais fases serão tratadas no momento oportuno, conforme o avanço do processo eleitoral”.
Norma Ayub foi prefeita de Itapemirim por dois mandatos consecutivos, de 2005 a 2012. Em 2017, assumiu mandato de deputada federal como suplente, e se elegeu em 2018 para a legislatura seguinte. Nas eleições de 2022, apesar de ter recebido 37,9 mil votos, não conseguiu manter a cadeira na Câmara dos Deputados.
A ex-deputada também foi derrotada em novas disputas no litoral sul do Estado para prefeita de Itapemirim, em 2016, e Marataízes, em 2020. Em 2013, chegou a ficar presa por poucos dias no âmbito da Operação Derrama, da Polícia Civil, que apurou denúncias de irregularidades relacionadas a licitações em diversos municípios do Estado. Entretanto, foi solta a pedido do próprio Ministério Público do Estado (MPES), que depois só ofereceu denúncias à Justiça para investigados de Aracruz, na região norte.
Em janeiro do ano passado, Norma assumiu como secretária de Desenvolvimento Social de Cachoeiro, cargo que já tinha ocupado em gestão anterior de Ferraço, mas ficou poucos meses. Em junho do mesmo ano, se tornou assessora especial da Secretaria Municipal de Governo e Planejamento.
Câmara de Vereadores
Renata Fiório, ao contrário de Norma, é pré-candidata a deputada federal. Quando foi nomeada como secretária de Saúde, logo no início da legislatura, a intenção do prefeito Theodorico Ferraço (PP) era beneficiar um aliado. Quem assumiu a cadeira da Câmara no lugar de Fiório foi José Luiz Calegário, o Galo (PP), apoiado em 2024 por Zezé da Cofril, pai do vice-prefeito, Júnior Corrêa (Novo), e vice-presidente do diretório municipal do Progressistas.
A Câmara Municipal de Cachoeiro passou por outras mudanças na composição nesta legislatura. No último dia 17, tomou posse como vereador Paulo Vitor Freitas, mais conhecido como Paulinho Motoboy. Ele é suplente do União Brasil e assumiu a cadeira de Marcelinho Fávero, que se licenciou do mandato para se tornar secretário executivo de Relações Institucionais da Semgov.
No ano passado, o vereador Braz Zagotto (Podemos) também se licenciou do mandato assumir a Secretaria Municipal de Limpeza. Em seu lugar, passou a ocupar a cadeira Ednalva Marin, que se tornou a única mulher entre os parlamentares municipais.
Mais pré-candidatos
O secretário estadual de Turismo e ex-prefeito de Cachoeiro, Victor Coelho (PSB), também é pré-candidato a deputado estadual. A candidata que apoiou para sucedê-lo nas eleições de 2024, Lorena Vasques (PSB), subsecretária em sua pasta, é pré-candidata a deputada federal. Inicialmente, a pretensão do Partido Socialista Brasileiro era fazer o inverso (Victor na Câmara dos Deputados e Lorena na Assembleia Legislativa), mas Coelho considerou que teria mais chances na disputa estadual.
Atualmente, três deputados estaduais possuem base eleitoral em Cachoeiro. Allan Ferreira (Podemos) é o único deles que têm se colocado como candidato à reeleição. Dr. Bruno Resende (União) pretende se candidatar a deputado federal – chegou a ser cogitado no Podemos, mas recuou. Já Callegari (DC) decidiu abandonar o Partido Liberal (PL) no ano passado para sustentar a sua pré-candidatura ao Senado Federal.
Aliado de Callegari, o ex-vereador cachoeirense Léo Camargo (PL), que ficou em segundo lugar na disputa pela Prefeitura de Cachoeiro em 2024, também é pré-candidato a deputado estadual.

