A Mesa Diretora da Assembleia parece disposta a inaugurar uma nova era na Casa, aproximando a instituição da sociedade e investindo em uma gestão mais transparente. Pelo menos é o que afirma o presidente do Poder Legislativo, Erick Musso (PMDB). Ele reuniu a imprensa na tarde desta quinta-feira (11) para apresentar o balanço dos seus primeiros cem dias de gestão à frente da Casa. Também falou das proposições para a melhoria da estrutura da Assembleia ainda este ano.
Do ponto de vista político, a prestação de contas acontece em um momento simbólico, para marcar a ruptura com a era Ferraço. Erick Musso aponta uma Assembleia mais próxima da sociedade, o que parece ser uma ação de recuperação da imagem do Legislativo, que no conjunto político é uma instituição sempre desgastada.
A sinalização de independência dos demais poderes também fortalece a imagem da Casa, muito desgastada pela relação subserviente com o Executivo por quase duas décadas. Os deputados em busca da reeleição em 2018 estão percebendo que podem se beneficiar dessa “nova Assembleia”, que garante a interlocução com o governo, mas, agora, querendo garantir benefícios para os dois lados.
Exemplo disso foi o almoço de Musso com os deputados há duas semanas, em que foi conversado sobre a resolução de um problema que se estende entre a Casa e o Executivo, que é a contemplação das emendas parlamentares. Musso, na coletiva desta quinta-feira, disse que ainda não conversou com o governador sobre o assunto, mas se conseguir desenrolar o problema vai conquistar o apoio incondicional dos colegas.
Um dos pontos que mostra a intenção do poder em se aproximar da população é a criação Fórum Democrático para Desenvolvimento do Espírito Santo, que tem a missão de estreitar o diálogo dos deputados com os segmentos de representação da sociedade. Em uma dinâmica diferente da que acontece hoje, em que os deputados vão até suas bases para os debates, a ideia parece ser a de atrair a população a ocupar a Assembleia como um espaço de convergência nas discussões de políticas públicas.
Aos jornalistas, Musso apresentou as economias feitas com uma política de austeridade, que envolveu cortes de gratificações, passagens aéreas, diárias e gastos com cessões de servidores. Erick Musso falou das dificuldades em formar uma equipe que pudesse dar as respostas necessárias como o maior desafio de seus primeiros cem dias de gestão.
Entre as ações apresentadas pelo presidente estão a redução de 50% das Funções Gratificadas, o que vai gerar uma economia anual de R$ 2 milhões, e a criação do comitê permanente com função de avaliar e acompanhar o conteúdo publicado no portal Ales e garantir o cumprimento da Lei Federal 12.527/2011, que prevê a garantia de mais transparência e acesso a informações.
Está em estudo a redução de 25% do contrato de banda larga e do contrato de telefonia móvel e a contratação de mais tempo de garantia para todo o parque de computadores da Assembleia, com economia estimada em R$ 150 mil.
Entre os projetos para este ano estão em estudo a possibilidade de retorno das atividades do restaurante da Assembleia; modernização do sistema de transmissão online da programação da TV Assembleia e um novo site.

