Após semanas de calmaria, os meios políticos de Itapemirim (região litoral sul) voltaram a ficar agitados no início desta semana. Circula na cidade a informação de que uma eventual operação policial atingiria a administração do prefeito Luciano de Paiva Alves (PROS). No ano passado, o socialista ficou afastado quase cinco meses do cargo por ordem judicial. Desta vez, os boatos teriam o objetivo de atrapalhar a candidatura à reeleição de Doutor Luciano, que não deve enfrentar sua adversária histórica, a ex-prefeita Norma Ayub Alves (DEM).
Nos bastidores, o comentário é de que os boatos partiram de pessoas ligadas ao presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), que é marido de Norma. Hoje, a ex-prefeita está com direitos políticos suspensos devido a uma condenação por improbidade, confirmada por órgão colegiado. Tanto que o nome da demista aparece no Cadastro Nacional de Condenações por Ato de Improbidade Administrativa – de responsabilidade do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – como inelegível até o ano de 2020.
Em janeiro deste ano, o prefeito de Itapemirim já havia sido alvo de boatos que, segundo aliados, teriam origem no grupo político adversário. Naquela ocasião, houve relatos de queima de fogos de artifício em comemoração ao suposto novo afastamento do socialista devido a uma denúncia ajuizada pelo Ministério Público Estadual (MPES) por suspeitas de corrupção no final do ano passado. Entretanto, a Corte negou pedido de afastamento, mantendo o prefeito no cargo.
A denúncia foi ajuizada pelo MPES logo após a veiculação de uma reportagem no programa dominical Fantástico, da Rede Globo, com denúncias contra a administração do socialista. A denúncia do Ministério Público seria, inclusive, uma “resposta” à reportagem que apontou a existência de um suposto esquema para desvio de até R$ 94 milhões em recursos públicos do município. A defesa do prefeito nega todas as acusações e defende a regularidade na aplicação dos recursos públicos.
A Operação Olísipo, deflagrada no dia 31 de março passado, que resultou no afastamento das funções do prefeito e de mais cinco pessoas, acontece pouco menos de um mês após as críticas de Ferraço, que pediu providências aos órgãos de fiscalização sobre denúncias de corrupção na gestão do socialista.

