O segundo adiamento seguido da reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Empenhos, que aconteceria nesta quarta-feira (6), após a sessão ordinária da Assembleia Legislativa, foi visto nos meios políticos como um recuo do Palácio Anchieta à manobra para tentar incluir o ex-governador Renato Casagrande (PSB) entre os indiciados.
A expectativa era de que o presidente do colegiado e líder do governo na Assembleia, deputado Gildevan Fernandes (PMDB), apresentasse um novo relatório responsabilizando o ex-governador, já que o relatório de Euclério Sampaio (PDT), relator da CPI, incluiu cinco ex-secretários do governo anterior, mas deixou Casagrande de fora.
Gildevan Fernandes usou o microfone de aparte, durante a sessão extraordinária dessa quarta-feira para anunciar o cancelamento da reunião da CPI que aconteceria logo em seguida. Fez questão que sua fala ficasse registrada pela taquigrafia e alertou: “Para que não haja contestação judicial depois”.
A reunião ordinária da comissão da próxima quarta-feira (13) está mantida. Até lá, os aliados do governo devem buscar uma solução para evitar que o relatório de Gildevan seja aprovado não só na comissão como também no plenário da Assembleia.
Na Assembleia, porém, essa manobra estaria apresentando desgastes desde a semana passada e alguns deputados já estariam em movimento para aprovar o relatório de Euclério Sampaio. O placar apertado – 13 a 12, da sessão da Assembleia que anulou a reunião extraordinária da CPI na segunda-feira (27), que aprovou o relatório de Euclério na Comissão -, também estaria deixando o governo com as “barbas de molho”. Hartung teria refeito as contas e constatado que não tem maioria hoje para rejeitar a prestação de contas de Casagrande na Assembleia.
O recuo seria necessário para reorganizar a estratégia e renegociar os votos que estão escapando do controle do governador. Nos bastidores da Assembleia, porém, essa manobra é considerada arriscada. Para alguns deputados, essa movimentação guarda relação com a eleição de outubro próximo e pode ter resultados diferentes, dependendo de quando as contas do socialista serão colocadas em votação no plenário da Assembleia.

