Aos poucos, dois modelos políticos vão se desenhando para a disputa eleitoral de 2018. Um que traz nomes já tradicionais da política capixaba e outro que aponta para a renovação, com lideranças dispostas a provar que é possível fazer política limpa a partir de uma nova lógica, que estaria sendo construída após o marco estabelecido pela Lava Jato.
No campo tradicional, o governador Paulo Hartung (PMDB) e o seu antecessor Renato Casagrande (PSB), que após o processo eleitoral de 2014 prometiam reeditar uma revanche em 2018, parecem não estar mais convictos desse cenário. Ambos foram tragados pela Lava Jato e seguem vulneráveis, esperando os próximos capítulos da operação.
Renato, independentemente dos desdobramentos das denúncias, parece distante da corrida ao Palácio Anchieta. Não parece disposto a travar um novo embate com o rival. Nos meios políticos comenta-se que ele estaria mais próximo do Senado ou mesmo da Câmara. Os planos poderiam ser revistos, porém, caso Hartung não concorra à reeleição.
O governador continua espalhando suas peças no tabuleiro eleitoral, se posicionando, ao menos neste momento, em busca da reeleição. Cauteloso, Hartung pode ainda fazer uso das cartas que carrega na manga: os secretários Júlio Pompeu (Direitos Humanos), Octaciano Neto (Agricultura) e Eugênio Ricas (Controle e Transparência). Se tudo der errado para o governador na Lava Jato, ele pode lançar um dos três “coringas” que tem na mão como seu sucessor.
Rose de Freitas (PMDB) vem correndo por fora nesse campo dos tradicionais. Justificando seu perfil municipalista, a senadora tem distribuído recursos para as prefeituras do interior, equilibrando o jogo de benfeitora com Hartung, que decidiu pôr o pacote de bondades debaixo do braço e sair fazendo a alegria dos prefeitos. A flexibilização do uso do Fundo de Desigualdades para as despesas correntes é um exemplo.
Mas se sobra força para Rose no interior falta legenda para a peemedebista poder consolidar seu projeto de chegar ao Palácio Anchieta. Se Hartung bater o pé na reeleição, automaticamente, barra a senadora, que teria que buscar guarida em outra legenda para se viabilizar.
No campo das novidades o destaque é sem dúvida o deputado estadual Sergio Majeski (PSDB). Ele hoje é o representante quase solitário desse novo modelo de se fazer política no Estado. Tecendo críticas ao governador Paulo Hartung, sem, porém, precisar recorrer ao estilo mais áspero adotado, por exemplo, pelo deputado Theodorico Ferraço (DEM), o tucano vem fazendo uma oposição qualificada, pegando pontos vulneráveis da gestão do peemedebista. Esse já é um traço com contornos mais fortes nesse novo jeito de se fazer política.
Majeski ainda tem pouca companhia nesse novo campo, mas pode ganhar novas companhias. Quem também poderia ocupar esse espaço é o deputado federal Helder Salomão. Em entrevista a Século Diário (01/07/17), o petista desconversa sobre as disputas majoritárias (Senado ou governo). Reafirma que seu projeto, hoje, é a reeleição. Mas como ele mesmo disse, “hoje”. Amanhã são outros quinhentos, como ele também admite.
Helder tem as qualidades para pleitear território nesse campo quase virgem. Muitas vozes vão se apressar para dizer: “Mas ele carrega o peso do PT”. Uma recente pesquisa do Datafolha mostrou que o partido está reagindo à crise que o abateu. Mesmo deixando as pesquisas de fora, Helder sempre foi uma liderança que conquistou a simpatia do eleitorado independentemente do partido. As pessoas gostam do Helder. Nesse caso, seria mais o Helder que conduziria o PT no Estado que o contrário.
Helder tem uma avaliação muito positiva dos dois mandatos de prefeito à frente de Cariacica. Arrebatou um punhado de prêmios nacionais em reconhecimento à sua gestão, especialmente na área de empreendedorismo. Tem bom trânsito nas comunidades religiosas, onde iniciou sua militância, e junto aos movimentos sociais. E o que pode ser mais importante na atual conjuntura: circula, como poucos, dentro do PT.
Essa capacidade de transitar bem dentro dos labirintos do PT é antiga. Helder nunca quis fazer parte de nenhuma corrente. Ele sempre se considerou um “independente”. Conversa com as diversas correntes, mas não quer ficar preso a nenhuma delas.
Todos essas qualidades o credenciam a ocupar esse campo do novo e disputar um cargo majoritário. Por que não?
Ainda é cedo para dizer quais lideranças vão levar vantagem nas próximas eleições: as oriundas do campo mais tradicional da política ou as novidades (como Helder e Majeski), que podem surgir como alternativa nesse horizonte de terra arrasada que se transformou a política brasileira.

