Theodorico Ferraço (DEM) tem um jeito de atuar muito próprio. Ele dispara sua metralhadora giratória, mas no final sempre consegue um acordo e sai por cima. Na questão da presidência da Assembleia tem sido assim desde a primeira vez que sentou-se na cadeira.
Em 2001, o nome de Ferraço foi colocado no plenário, mas houve um acordo para ele ser vice de Rodrigo Chamoun, que um ano depois deixou a Casa para assumir o cargo de conselheiro no Tribunal de Contas, deixando a cadeira livre para o então vice. Ao fim daquele ano, se valendo da justificativa de que estava em um mandato tampão, Ferraço conseguiu a primeira PEC para ser reconduzido à presidência da Casa.
De lá para cá as justificativas foram mudando, mas sempre há uma PEC apresentada por um aliado para garantir a permanência de Ferraço à frente da Mesa Diretora. É verdade que esse não era o plano inicial do governador Paulo Hartung (PMDB), mas o chamado “plano A” falhou.
O governador pretendia preparar o hoje secretário de Assistência Social do Estado, Rodrigo Coelho (PDT) para o cargo. Mas ele falhou no primeiro teste, que consistiu na condução do blocão para a divisão das comissões na Casa logo no início da legislatura. A manobra para deixar o deputado Sandro Locutor (Pros) sem nada foi muito escancarada e houve muita confusão na Casa.
Ao perceber a movimentação, Ferração vai para a imprensa e dispara contra o governador. Na verdade, ele nunca quis ser oposição, queria chamar Hartung para conversar, até porque, sob seu comando, a Assembleia sempre facilitou a vida do governo. O governador, a princípio, o deixou de lado, mas ao não comparecer ao almoço para discutir a LDO, Ferraço novamente mandou um recado, e aí o governador topou.
Agora, Ferraço é candidatíssimo à reeleição e conseguiu colocar dentro do plenário que seu cabo eleitoral é o governador Paulo Hartung. Consegue com isso a carta branca para se movimentar, por meio de uma nova PEC, que vem sendo proposta por Cacau Lorenzoni, e não vai ter problemas em ser aprovada. O modus operandi de Ferraço é próprio e também visa ao atendimento de seus interesses, mas os deputados acabam ganhando com isso e aí fica bom pra todo mundo.
Fragmentos:
1 – Que diferença no trato com os manifestantes pelo retorno da Samarco na Assembleia. Será que se fossem estudantes contra a política educacional do Estado, teriam tanta atenção assim?
2 – Considerado o rei das sessões de quarta-feira, o deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) não topou o jogo de defender o retorno das atividades da Samarco. Quem abriu a sessão foi Hércules Silveira e quem conduziu até o momento em que os manifestantes entraram no plenário foi Theodorico Ferraço.
3 – E que coincidência o diretor de comunicação da empresa, Fernando Kunsk, estar lá no plenário numa hora tão oportuna, não é?

