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‘O PT passa por um processo de depuração???

Rogério Medeiros e Renata Oliveira
Fotos: Leonardo Sá / Porã
 
Vereador mais bem votado de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado) na última eleição, Professor Leo (PT) foi secretário Ação Social do município por um ano e quatro meses. Em 2014, atingiu quase 15 mil votos, 12.500 deles em Cachoeiro,  como candidato a deputado federal, ficando com a segunda suplência.
 
Há cerca de dois meses, foi eleito presidente do municipal do PT, com a renúncia do advogado José Irineu, que se afastou por problemas pessoais.  A missão do vereador agora é comandar o partido em um momento difícil, já que o atual prefeito Carlos Casteglione chega ao fim do seu segundo mandato em desgaste, assim como o partido, que passou de seta à vidraça em nível nacional. 
 
Além disso, o nome colocado para ser o sucessor do prefeito é o deputado estadual Rodrigo Coelho, que, comenta-se nos meios políticos, estaria de malas prontas para deixar a sigla. Rodrigo seria o sucessor natural, mas Léo pode ser alçado a candidato e se diz preparado, com ou sem o presidente da Assembleia Legislativa, Theodorido Ferraço (DEM), pela frente. 

 
 
Século Diário – O vereador é conhecido em Cachoeiro, mas no restante do Estado ainda não. Quem é Professor Léo?
 
Professor Léo – Eu sou do interior de Cachoeiro. Minha mãe é de Conduru, meu pai foi funcionário da usina São Miguel, que hoje está desativada. Infelizmente, minha família migrou cedo para Cachoeiro, meu pai para trabalhar em marmoraria e minha mãe, do lar. Meus pais se separaram, mudamos de bairro em bairro em Cachoeiro. Crescemos nos bairros mais populosos da cidade. Sempre estudei em escola pública. E desde menino acompanhei o crescimento do município. Cresci na diversidade de pessoas e religiosa. Havia muitas festas de Cosme e Damião, muitas religiões de matrizes africanas, e uma missão adventista. Eu frequentava todas. 
 
– Já fazia política desde cedo, então?
 
– Já fazia política sem saber. Tive a influência de um padre Ribot muito importante lá de Cachoeiro, de origem espanhola. Lá havia o Colégio dos Padres, que oferecia teste vocacional, era o Centro Vocacional Anchieta, e avaliava a vocação dos homens que frequentavam ali. Estava na oitava série e esse padre me influenciou muito politicamente. Ele falava sobre assuntos da adolescência dos anos 1980 e fui para esse instituto, mas minha vocação religiosa não prosperou, comecei a namorar muito cedo. Me tornei catequista e fiz missão em vários bairros carentes. 
 
– Aconteceu o contrário contigo, porque naquela época, o PT foi para dentro da Igreja Católica. O vereador começou na igreja e depois foi para o PT. 
 
– Eu relutei para me filiar no PT, porque era muito anarquista naquela época. 
 
– Mas na igreja? Não era contraditório?
 
– Eu era da igreja, mas atuava superficialmente. Foi mais intenso na adolescência. Na faculdade fui me distanciando um pouco.  Esse puritanismo e por acompanhar a trajetória de Perly Cipriano, Sant’Clair, José Pontes Scheider…isso foi mexendo comigo. O cotidiano do bairro, a religião, a família desestruturada, com uma mãe descasada, pai alcoólatra. Isso foi mexendo comigo.
 
– E como você chega na política?
 
– Foi por causa da faculdade de História. No ensino fundamental e médio, a gente recebia a educação, mas não passava pela crítica. Só no ensino médio, recebi um pouquinho disso no Liceu, mas foi na faculdade que começamos a tirar os véus da realidade nas aulas de filosofia e o materialismo… conheci Marx. Entrei na faculdade, um pouco tímido. De 1994 para 95 houve um problema no Diretório Central dos Estudantes (DCE), a diretoria estava comprada. Fizemos um movimento para tirar aquela diretoria e colocar pessoas novas. Fui me empolgando com aquilo e acabei sendo eleito o presidente do diretório. Batemos de frente com a faculdade, recebemos ameaças de processos, e com 19, 20 anos, isso assustava, mas não nos intimidava. 
 
– E o PT?
 
– Em 1989 havia a disputa entre Lula e Collor eu tinha 15 anos, estava no Liceu, mas fui entendendo a importância de Lula naquele contexto e, mesmo sem votar, fiz campanha para Lula, por influência do padre Ribot.

 
– E que fim levou esse padre?
 
– Ele ficou doente, foi transferido para um Seminário em Salvador, onde acabou falecendo e foi sepultado lá. Acredito que ele preferia ser sepultado em Cachoeiro. Ele influenciou muita gente na cidade. 
 
– Mas quando foi que o vereador se filiou?
 
– Na faculdade eu criei uma identidade com a Força Socialista. Em 1999, fui enviado para o Segundo Encontro Latino Americano pela Humanidade contra o Neoliberalismo, realizado em Belém, no Pará. Foi Edmilson Rodrigues, que era prefeito de Belém e era da Força, quem organizou. Aí fui para lá e pensei que iria me filiar, mas ao chegar lá, vi uma briga de PT contra PT, aquela coisa doida, de tendência, que eu nunca fui a favor. Então voltei ainda mais anarquista e não quis me filiar. Só fui me filiar no final de 1999. Em 2000, muitas pessoas queriam que eu disputasse, mas preferi apoiar a companheira Joana D’Arq . Só fui ser candidato depois de apaziguar os ânimos dentro de mim. Isso foi em 2004.
 
– E como foi sua primeira campanha?
 
– Minha primeira campanha de vereador eu brinquei. Éramos eu e mais dois mentecaptos. Eu digo mentecaptos porque eram dois amigos, que ninguém os entendia, e eu partilhava de algumas ideias deles. Aloir  Vicente e Arlindo. Dois companheiros do PT e outros poucos apoiadores. Aí, nós brincamos em 2004 e fiquei em quarto lugar na legenda e o partido quase me cortou na época, porque não levava fé. Em 2004 houve um empate entre Arlete Brito e Elias de Souza, com 782 votos, e Elias levou por idade. Tive 719 votos. É claro que o professorado também ajudou, eu lecionava na época. Antes disso, eu entregava jornais como a Folha de S.Paulo e outras publicações. Só que antes de entregar, eu já lia tudo e discutia com o cara para quem eu ia entregar, ficava filosofando com ele. Isso ajudou na minha formação política.
 
– Nessa eleição, ficou na suplência…
 
– Fiquei na terceira suplência, mas o que chamou a atenção nessa eleição é que eu brinquei, gastei R$ 150,00 na época e eles queriam me cortar. Se eu tivesse o mínimo de organização, poderia ter chegado. O tempo passou, ganhei juízo, e fui me preparando mais. Fui formando um grupo político e, em 2008, cheguei mais consolidado para a eleição, mas aí já não tanto com o professorado, já que a educação vive uma crise em vários níveis, me apeguei muito à juventude. O adolescente e o jovem se identificam comigo, eles dizem isso, não sou eu quem canta isso. Se identificam comigo e com os ideais que eu defendo. Em 2008 fui o mais votado do PT para a Câmara, com 1.482 votos, também com uma campanha humilde, pé no chão, com uma desconfiança das lideranças locais. Eu continuei trabalhando durante a campanha, não tinha tempo livre.
 
– Em 2008 foi a primeira eleição de Carlos Casteglione. Foi uma campanha casada?
 
– Foi uma campanha casada, mas tinham outras candidaturas prioridades. Nunca fui prioridade em eleição nenhuma, mas acho que isso faz até bem. Aí eu fui o mais votado do PT, com uma campanha minúscula. A companheira Arlete foi eleita junto comigo e o Casteglione também foi eleito para a prefeitura. Theodorico Ferraço (DEM), com todo aquele tamanho, 80% de chances. Eu me elegi achando que ia ser oposição ao Ferraço
 
Ferraço era tido como franco favorito? 
 
– Quando você dizia que era do PT, as pessoas rejeitavam. Desde a década de 80, se você dissesse que era do PT, já era perseguido. 
 
– O vereador é da mesma corrente do prefeito?
 
Casteglione era da Articulação de Esquerda, mas aí houve o racha e ele foi para a Alternativa Socialista, do [João] Coser. Eu sempre fui independente, hoje estou na corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), do Perly Cipriano. 
 
– E como foi o primeiro mandato? 
 
– O primeiro mandato foi enxugando gelo e tirando leite de pedra. Houve muita dificuldade de diálogo com o PT e com o Executivo. Eu era muito independente, tentei ficar na Articulação de Esquerda, mas essa corrente não fez muita questão que eu ficasse. 

 
Casteglione tinha maioria na Câmara?
 
– Tinha maioria. A Câmara foi muito boa. Havia um grupo que sempre ganhava a eleição e depois jogava com o governo. Nós, os novatos, fizemos um grupo, fomos nos fortalecendo. Eles tentaram cooptar os mais fracos, mas nos fechamos e acabamos ganhando a eleição da Mesa Diretora, sem influência externa. Não fui presidente da Câmara porque me faltou apoio, musculatura e querer. Acabei virando segundo secretário. Mas houve muito diálogo com as secretarias, na escolha de alguns componentes do governo. Eu sou professor e não fui ouvido na escolha do secretário de Educação. Até que um dia, eu dei uma de doido e falei que queria ser ouvido. Aí, mais ou menos, fomos ouvidos. 
 
– Mas por que havia essa má vontade do Executivo com o próprio PT?
 
–  Porque não éramos do grupo. Eu e Arlete não éramos do grupo majoritário. Nossa posição na Câmara era meio que obrigação, mas na hora de compor o governo, não éramos ouvidos. A gente era PT, mas não deixava ser crítico, sem, claro, ser suicida de bater no governo em público e de toda a forma. 
 
– Seu grupo tinha espaço no governo?
 
– Muito pouco. Tinha algum espaçozinho, a pessoa que estava ali não tinha influência. O diálogo foi muito truncado. 
 
– Em 2012, a eleição foi bem complicada. 
 
–  Eu tive que me virar na primeira eleição, ir em festa junina, julina, continuei dando aula, fazendo esse trabalho na porta das escolas, mas a oposição se fortaleceu. O Orçamento Participativo, por um lado fortaleceu o governo, e por outro, a oposição, porque quando você dialoga diretamente com a população, alguns agentes políticos ficam de fora, e isso gerou uma ciumeira nos meios políticos. Houve também a dificuldade administrativa e financeira, que dificultou a caminhada do governo. Isso fortaleceu a oposição, só que as pessoas queriam uma oposição nova, não uma oposição com os velhos caciques. Isso também gerou uma dúvida na cabeça da população, quando viu o Glauber [Coelho], que seria esse novo, junto com Ferração, com [Roberto] Valadão, que nem terminou o governo, e com José Tasso, que responde a processo até hoje. Então, a gente foi caminhando, houve problemas de rumo dentro da campanha. As divisões internas também atrapalharam um pouco, porque algumas candidaturas proporcionais deixaram a majoritária de lado. A chapa de vereadores foi toda voltada para a eleição de prefeito e esqueceu a proporcional. O PT fez uma coligação com o PTB, com vários candidatos fortes. Muita gente do PTB fazendo corpo mole, gente nossa mesmo, fazendo corpo mole. Nesta eleição, fui o mais bem votado, com  2.183 votos
 
– Quase dobrou sua votação.
 
– De 1.482 para quase 2.200. Foi a eleição com o maior número de candidatos de Cachoeiro. O PTB fez três e o PT só elegeu a mim. Se a gente sai sozinho, o PT teria três vereadores. Mas, segundo as análises, foi bom para a majoritária e eu acredito que tenha sido, porque a eleição foi muito apertada. No segundo mandato, procuramos o presidente do partido, que já era o José Irineu, sentamos em uma mesa e dissemos que deveríamos zerar tudo. Porque haviam uma mágoa também, em  eleições passadas, eu tinha apoiado um amigo de faculdade. Apoiei o Professor Cleber, de Marataízes, que era amigo de faculdade e não apoiei Casteglione para a disputa de deputado estadual. Ficou uma certa mágoa e eu também admito que foi negligência minha e infantilidade. Então, sentamos, conversamos, dialogamos mais. Aí entramos em um consenso, para que eu me licenciasse da Câmara assim que começasse o ano legislativo. Eu fiquei 14 meses na Secretaria de Ação Social. 

 

– E como foi a experiência de ficar no Executivo?
 
– Foi maravilhosa. Quando a gente está na Câmara, acha que tudo é fácil, e quando a gente está na Câmara também sofre porque a população elege o vereador para ser o prefeitinho dela, e o vereador tem muito pouco poder, e se o Executivo ouve pouco o vereador, ele está no sal. No primeiro mandato, eu não conseguia tapar nem o buraco do dente da dona Carmosina, do bairro tal. Nesses 14 meses na secretaria, passei a ser mais respeitado e mais ouvido nas minhas indicações, nas minhas fomentações ao governo. E estreitei os laços com o PT e com o próprio prefeito. Aprendi que o Executivo não é brincadeira. O vereador quer resolver o problema de qualquer jeito, mas na secretaria eu sempre dizia que ninguém vem à Secretaria de Ação Social se não estiver precisando, então tentei humanizar a secretaria dentro da Política Nacional de Assistência Social. Até o início do governo Casteglione, aquilo ali era dar sopão e sair com cesta básica nas costas. A gestão anterior à minha estruturou a Secretaria, mas ainda era muito fria. A Assistência Social não é uma engenharia, é uma ciência humana. Antes era Assistencialista, com Casteglione tornou-se técnica, mas ainda era fria. Eu tentei humanizar dentro da técnica, se é que isso é possível. 
 
– E por que deixou a Secretaria depois de 14 meses?
 
– Voltei para a Câmara já pensando na disputa de deputado federal. Muitas pessoas me criticaram, dizendo que eu queria dar um passo maior do que a perna. 
 
– Mas o vereador saiu bem com o prefeito do governo?
 
– Sim, a relação melhorou muito, da água para o vinho, com o prefeito, com o PT. Casteglione me deu total liberdade. Nesses 14 meses, investimos mais de R$ 1,5 milhão. Saiu do papel o Centro de Referência da Juventude, que leva o nome do guerrilheiro Arildo Valadão, desaparecido político. O programa Cesta Verde, que de 15 em 15 dias doa para as famílias, com acompanhamento de nutricionistas, legumes, verduras. Inauguramos o CRAS Zumbi dos Palmares, no Bairro Village inauguramos o Centro Obá Rogê, em homenagem a um pai de santo muito respeitado no local. 
 
– Voltando para as eleições. Em 2014, o vereador disputa a eleição de deputado federal e pega a segunda suplência.
 
– Mais uma vez, para não fugir à regra, uma campanha bem limitada. Em Cachoeiro, a gente dizia que era todo mundo contra nós. Faltando um mês para a campanha, fui acordado na minha casa com carro de som de Norma Ayub [DEM] e Camilo Cola [PMDB] e eu não tinha carro nenhum. Mas, por quê? Quando faltavam 45 dias para a eleição, em uma segunda-feira, Renato Casagrande [PSB] me liga para dar os parabéns pela campanha, porque estava bem nas pesquisas. Quando eu tinha um espaço, conversava bem com Renato Casagrande. Lá atrás, quando todo mundo falava de Ricardo Ferraço [PMDB], eu defendi a candidatura de Renato Casagrande ao Senado. Eu falava na Câmara que estava com Coser, mas se ele não quisesse, eu iria com Renato Casagrande. Casagrande me ligou dizendo que estava apoiando e, na terça, me ligou Paulo Hartung [PMDB], também se colocando à disposição. Mas os outros candidatos, quem tinham  recursos, tinham pesquisa, começaram a atacar onde eu estava bem e eu não tive gás para tocar. Aí nos últimos 30 dias, eles massacraram e tínhamos a expectativa de atingir 20 mil votos… 

 

– Quais candidatos estavam lá?
 
– A Norma, o Camilo, [Sérgio] Vidigal…e [Carlos] Manato também entrou bem, mas principalmente Camilo e Norma. Os dois tiveram quase 50 mil votos em Cachoeiro. A Norma teve praticamente a mesma votação do Ferraço. A casadinha deles funcionou muito bem.
 
– Seus votos ficaram concentrados em Cachoeiro?
 
– Tive 12.500 votos em Cachoeiro e dois mil fora. O partido cooperou da forma que podia. O prefeito nos ajudou, liberou muitas pessoas para nos ajudar. Tentamos fazer uma casadinha com o Perly, mas cachoeirense é bairrista para isso. Fiz uma dobradinha com o Rodrigo Coelho também e acho que foi até melhor para ele do que para nós, porque são muitos estaduais e poucos federais, e eu era a novidade na eleição de federal em Cachoeiro. Rodrigo ajudou muito com material, Perly também. Mas foi uma campanha menor do que a de vereador. 
 
– Agora o vereador chegou à presidência do PT de Cachoeiro e é o segundo suplente da coligação. Se Sérgio Vidigal (PDT) e Helder Salomão se elegerem, Iriny Lopes e Professor Leo assumem…
 
– O presidente do PT de Cachoeiro, José Irineu, se afastou por motivos pessoais e houve um acordo supra-tendências, o entendimento, que neste momento que o PT vive, eu seria um bom nome para fazer esse período de transição. Eu lido bem com petistas e não petistas. Sou um bom professor no diálogo. Eu fui aclamado pela maioria absoluta do diretório, por uma tendência que não é a minha, e estou há cerca de dois meses à frente do partido. Fizemos esta semana um planejamento estratégico do partido para este ano e estamos tentando resgatar a militância que milita pelo PT e não pelas causas ao inverso. Queremos resgatar o PT pelo PT, pelas causas.
 
– O vereador assume o PT em um momento difícil, com o prefeito chegando ao fim do segundo mandato, com o esperado sucessor, deputado Rodrigo Coelho, que pode deixar o partido, com o PT nacional virando vidraça. Como será a condução deste processo eleitoral? Não sente que foi deixado para apagar a luz?
 
– Eu sei lidar na calmaria e na adversidade. Acredito que vão sobrar muitos. Mesmo que a luz seja apagada, que a gente acenda a lamparina. O PT viveu muito tempo no obscurantismo, segurando vela. Acredito que justamente por essa capacidade de diálogo que a gente aperfeiçoou dentro do partido, essa capacidade de diálogo que começamos a fazer de 2013 para cá, e a capacidade de dialogar com pessoas que não são do PT, mas que tem empatia com o partido. A capacidade de ouvir e de falar, mesmo com quem seja radicalmente contra o partido. Acredito que o PT está passando por um processo de depuração. Não é que vão ficar só os puros, mas vão ficar aqueles que querem voltar a fazer sacrifícios. E eu topo fazer sacrifícios, pelo PT. Eu relutei tanto para me filiar ao PT e agora vou me desfiliar nas primeiras pesadas dificuldades que afligem o partido, sejam nacional, estadual ou municipal? Não. Eu tenho mandato, tenho compromisso estatutário com meu partido, com minhas raízes. Tenho compromisso com minha história, minha trajetória. Não vou ficar trocando de partido como quem troca de camiseta. Isso não é da minha índole. 
 
– O vereador é o novo em Cachoeiro. Se tiver de disputar, se sente pronto?
 
– Eu me sinto pronto mais humanamente do que no sentido de ser um gerente de Cachoeiro. Eu cresci vendo aquela cidade crescer. Eu ando na cidade e as pessoas me chamam pelo nome. As pessoas lembram coisas que eu não me lembro da minha vida. Isso me capacita. Não basta um prefeito para Cachoeiro, tem de ter alguém que pense e viva a cidade. Eu não posso administrar Cachoeiro como quem administra um banco. Tem de ser administrada com o coração. Não dá para inventar a roda em 2016. Sem um novo pacto federativo, sem uma nova divisão das receitas, os municípios estão fadados ao desequilíbrio perpétuo ou à falência.  
 
– E se tiver um Theodorico Ferraço do outro lado?
 
– Não vejo problema. Vai ser o novo contra o que está mais próximo de se aposentar, no que diz respeito ao Executivo.
 
– O PT pode não disputar e apoiar um aliado, um Abel Santana (PV), por exemplo, que é o atual vice?
 
– Não acredito. O PT disputa eleição em Cachoeiro desde a década de 1980. É uma tradição, roendo osso. Tendo gente ou não para ouvir. Muita gente diz que o governo deve deixar uma marca, Ferraço deixou uma marca, Valadão deixou uma marca, José Tasso deixou uma marca. Eu respeito isso, mas a época que eles governaram não cabe mais no modelo do Século 21, no modelo de 2016. Precisa técnica, mas precisa também coração para fazer as mudanças que a população anseia e que a cidade precisa. Cachoeiro tem de potencializar o que tem a oferecer, como as rochas, em um contexto artesanal, por exemplo. 
 
– O vereador está preparado para enfrentar o Ferraço?
 
– Acredito que estou plenamente preparado para enfrentá-lo. 
 
Ferraço está aí há 50 anos fazendo “malandragem” política. Mas em Cachoeiro há o Ferracismo e o anti-Ferracismo. O vereador tem capacidade de agregar esse anti-Ferracismo?
 
– Por isso que eu digo, que para o ano que vem, não basta ser um candidato a prefeito, as pessoas vão ter de confiar na pessoa do Professor Léo. Muita gente vai ter de deixar o orgulho de lado, deixar esse sentimento anti-PT no escanteio para confiar no professor Léo. Muitas pessoas acreditam em mim enquanto indivíduo, mas ficam desconfiado pela filiação partidária que eu carrego. Por isso, eu digo: temos que pensar Cachoeiro não em partidos, mas em movimentos. Movimentos Populares, nas Igrejas, de pessoas que estão inseridas na sociedade, porque sozinhos não vai dar pé. Agora, eu também penso que Ferraço pode não ser candidato. E outra coisa, que eu quero deixar bem claro: Casteglione nem era candidato em 2008, a onda de Ferraço declinava, a de Casteglione crescia, e Rodrigo foi suspenso para ser o sucessor de Casteglione. Rodrigo vem sendo preparado antes da eleição dele próprio e agora não vai ser? Eu acho difícil. 
 
–  O senso de oportunismo a

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