A lama que desceu o rio Doce, com o rompimento da barragem da Samarco/Vale em Mariana (MG), chegou em Regência, Linhares nesse sábado (21). Antes de chegar no mar, porém, a enxurrada de lama já havia percorrido os 853 km de extensão do rio Doce deixando pelo caminho muita destruição, mortes e polêmicas. A tragédia, não resta dúvida, terá reflexos no processo eleitoral do próximo ano, principalmente nas três cidades cortadas pelo trecho capixaba do rio: Baixo Guandu, Colatina e Linhares.
É possível fazer uma análise das lideranças envolvidas na discussão dos problemas da lama da barragem e todos parecem estar tentando mostrar serviço. Mas uma situação vai pesar tanto quanto a atuação neste momento: os financiamentos de campanha políticas da Vale.
O comprometimento das lideranças políticas com a empresa deve ser cobrado nas urnas. Mesmo com o veto à doação de empresas para as eleições de 2016, o passado será recordado pelos adversários durante a campanha, principalmente porque não se sabe por quanto tempo os efeitos da lama serão sentidos nesses municípios e quais os impactos sociais e ambientais.
Em Baixo Guandu, a postura do prefeito Neto Barros (PCdoB) desde o início do processo, foi de crítica. Ele contou com o apoio da população na batalha contra a empresa. Neto Barros não tem sido um entusiasta da reeleição, como mostrou em entrevista a Século Diário recentemente, mas se sobressaiu com o eleitorado por causa dessa posição mais dura e corajoso em relação à empresa.
O deputado Dary Pagung (PRP), que tem reduto em Baixo Guandu, também não estaria de olho na prefeitura no próximo ano, pelo menos não estaria se movimentando para isso. Ele está na comissão de Representação da Assembleia para discutir o assunto, não recebeu dinheiro da empresa, mas sua participação no evento não tem conseguido lhe garantir uma visibilidade a ponto de trazer capital político.
No município de Colatina a discussão também passa pela lama no palanque. O deputado federal Paulo Foletto (PSB), que faz parte de uma comissão externa da Câmara dos Deputados para investigar a tragédia, recebeu doação direta da Vale Manganês. O nome do deputado federal é cotado para a disputa a prefeitura em 2016, mas a doação da poluidora, não vai cair bem em seu palanque.
Diferentemente dele, o deputado estadual Josias Da Vitória (PDT), que não recebeu dinheiro da Vale e suas subsidiárias, e comanda a Comissão de Representação da Assembleia, tem conseguido trazer respostas sobre a situação de crise envolvendo o rio. Da Vitória não teria pretensões de entrar na disputa pela prefeitura de Colatina no próximo ano.
O deputado estadual estaria trabalhando a aquisição de musculatura, de olho na disputa à Câmara dos Deputados em 2018. Mas sua atuação na crise atual pode transformá-lo em uma liderança de peso no processo do próximo ano. Da Vitória estaria conversando com o vereador Renzo Vasconcelos (PPS) na costura de uma aliança para 2016.
Linhares tem dois deputados estaduais na Comissão de Representação: Guerino Zanon (PMDB) e Eliana Dadalto (PTC), que é a relatora da comissão. Zanon aparece na lista de apostas da Vale na eleição passada e isso deixa ainda mais complicada sua vida para 2016. O deputado precisa se livrar de uma manobra arquitetada na Câmara municipal que rejeitou suas contas, tornando sua ficha suja. Sem isso, ele seria o favorito na corrida eleitoral, mas doação da mineradora pode pôr seu favoritismo em xeque.
Já Eliana Dadalto, mesmo rompida com o atual prefeito Nozinho Correa (PP), ainda lida com o problema de ter sido eleita vice do prefeito em 2012. Mas sua relatoria na comissão e o fato de não ter recebido apoio financeiro da mineradora na disputa pela vaga na Assembleia podem lhe garantir uma visibilidade capaz de aumentar seu capital e torná-la um nome de influência no pleito de 2016, se bem que a participação da deputada na relatoria tem sido bem discreta.

