No plenário da Câmara de Vitória, os vereadores acreditam que a votação do Orçamento de 2016 vai ficar para a última hora. O legislativo tem sessão até esta quarta-feira (30), mas está difícil o entendimento entre os vereadores da base governista e os que não concordam com o projeto enviado pelo prefeito Luciano Rezende (PPS).
A divisão no Legislativo, por enquanto deixa o jogo indefinido. Luciano teria o apoio dos dois vereadores do PPS, Vinícius Simões e Fabrício Gandini, além de Rogerinho Pinheiro (PHS), líder do governo na Câmara, Davi Esmael (PSB), Fabio Lube (PDT) e Devanir Ferreira (PRB). Se for necessário o voto de minerva, o presidente da Casa, Namy Chequer (PCdoB) também deve votar o grupo da situação.
A oposição, que começou bem tímida, com apenas os petistas Reinado Bolão e Marcelão, além do peemedebista Zezito Maio, estaria atraindo o apoio dos vereadores considerados independentes. Max Da Mata (PSD), relator do Orçamento 2016, Serjão Nascimento (PSB) e Wanderson Marinho (PRP), que tem se tornado um grande crítico da gestão de Luciano.
A dúvida no plenário recai sobre o posicionamento dos indecisos: Neuzinha Oliveira (PSDB) e Luisinho Coutinho (SD). Eles podem definir a votação. E a pressão não é pouca. Na semana passada, o prefeito teria se reunido com lideranças comunitárias no sentido de pressionar os vereadores pela aprovação da matéria.
Mas a pressão não adiantou. Nesta segunda-feira (28), a Comissão de Finanças da Câmara realiza uma reunião para apresentar o parecer de Max da Mata e começar a discutir a votação, mas os questionamentos sobre a matéria devem ainda se estender. Se o Orçamento não for votado, o prefeito só poderá administrar a cidade com uma pequena parcela do Orçamento, referente ao primeiro mês de 2016.
Havia a expectativa de que o prefeito Luciano Rezende apresentasse sua prestação de contas antes do recesso, mas a tendência é de que com a temperatura tão elevada na Casa, o ele deixe a prestação de contas para depois do recesso.
O Orçamento de Vitória está estimado em R$ 1,57 bilhão, com uma queda de R$ 300 milhões em relação a 2015. Vitória é a terceira capital do País que mais cortou investimentos em 2015. O relator da matéria, vereador Max Da Mata, aponta um rombo nas finanças da prefeitura para o próximo ano de R$ 46 milhões.
Um dos entraves para a aprovação do Orçamento na Câmara de Vitória é a tentativa do prefeito em aprovar em regime de urgência um projeto que autoriza o Executivo a contratar um empréstimo no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no valor US$ 100 milhões, cerca de R$ 398 milhões.
Além de Vitória, outras três cidades não votaram o Orçamento de 2016. Em Viana e Colatina as peças orçamentárias devem ir para votação nesta segunda-feira. Em Linhares, uma manifestação de professores dificultou a discussão, já que o magistério queria discutir o plano de carreira da categoria.
O prefeito Nozinho Correia (de saída do PDT) disse que tem recursos para pagar as contas. Em Vitória, embora a haja a expectativa de que a peça seja votada até esta quarta, não há previsão oficial para o fim da novela, já que o prefeito não respondeu os questionamentos da Comissão de Finanças.

