Esta semana o clima esquentou na Câmara de Vitória, com um movimento de obstrução dos vereadores para não votar alguns projetos da prefeitura. A reclamação no plenário é de que o prefeito Luciano Rezende (PPS) quer aprovar alguns projetos a qualquer custo e vem pressionando a Câmara, mas há resistências na Casa. Um dos pontos de polêmica é a discussão do Orçamento do próximo ano.
Alguns vereadores entendem que o prefeito superestimou suas projeções de arrecadação. No Plano Plurianual de 2013, Rezende aponta uma previsão de R$ 2,5 bilhões para Orçamento 2016. Mas, na Lei Orçamentária enviada a Câmara, apresentou um prognóstico bem mais modesto: quase R$ 1,6 bilhão
Para os meios políticos, o prefeito foi precipitado. Acreditou que os recursos do Refis (Programa de Recuperação Fiscal) poderiam aliviar as finanças, assim como conseguiria aprovar a securitização, que seria a venda das dívidas que a prefeitura teria a receber, que giram em torno de R$ 1,4 bilhão.
Mas essas situações não se efetivaram e a crise econômica mundial afetou também a prefeitura, que em 2012 já havia sofrido um baque com o fim do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap). A prefeitura não teria se preparado para buscar alternativas para aumentar a arrecadação e compensar a perda.
Outro ponto que também vem gerando problemas entre os poderes é a discussão sobre o investimento da prefeitura em publicidade. Em 2015 foram aplicados R$ 17 milhões nesta área, enquanto cortes foram feitos em outros setores. Por isso, os vereadores que não se alinham com o prefeito tratam a situação como descontrole das contas pelo Executivo.
Aliada às questões administrativas, a relação política do prefeito com os vereadores também não anda boa. Os legisladores acusam o prefeito de antecipar o pleito do próximo ano, mexendo nos partidos para fortalecer alianças que estarão em seu palanque. Isso tem causado muitas reações no plenário e o clima quase sempre é de críticas à prefeitura.

