Depois de muito debate e briga nos bastidores da disputa pela Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, os principais cargos estão fechados. Erick Musso (PMDB) está confirmado na presidência e Raquel Lessa (SD) será mesmo a primeira secretária. O cargo que trouxe muita discussão foi fechado na manhã desta quarta-feira (1), a segunda secretaria, que será ocupada por Enivaldo dos Anjos (PSD).
A costura de última hora contou com a participação do secretário-chefe da Casa Civil Zé Carlinhos da Fonseca Júnior (PSD) e do secretário de Agricultura, Octaciano Neto (a caminho do PDT). Eles conseguiram tirar do páreo o deputado Josias Da Vitória (PDT), que estava cotado para o cargo. A eleição será de chapa única, não há possibilidade de uma manobra de última hora para enfrentamento na eleição. Apesar da costura, nos bastidores circula a informação de que Da Vitória não concordou em abrir mão da disputa.
O motivo alegado para emplacar Enivaldo dos Anjos na Mesa é de que a haveria a necessidade de um nome com mais experiência, já que haverá pela frente uma eleição de governador e a reeleição dos deputados estaduais. Mas a costura não foi fácil e exigiu a participação mais direta do Palácio Anchieta, que pretendia dar ar de independência ao processo eleitoral interno.
Mas essa costura também teve efeito negativo no plenário. Alguns deputados não esperavam esse acontecimento de última hora, que deixou transparecer a digital do governo em todo o processo. Isso porque Erick Musso é um nome que agrada o governo ??? o deputado deixa a vice-liderança do governo para assumir a presidência da Casa ???, por isso ganha o selo palaciano, mesmo tendo o deputado feito as movimentações de sua candidatura de forma, aparentemente, dissociada do governo.
O nome de Raquel Lessa para a primeira secretaria também teria sido uma indicação palaciana. Já a escolha de Enivaldo dos Anjos para a segunda secretaria agrega mais, já que foi construída com a participação dos emissários de Hartung e atende ao atual presidente, Theodorico Ferraço (DEM), que demonstrou ter saído magoado do processo com o Palácio Anchieta.
Quem saiu perdendo na discussão foi o grupo de quatro deputados independentes que embarcou no blocão na última hora e pleiteava um lugar na Mesa. Desse grupo, o deputado Marcos Bruno (Rede) vinha sendo cotado para a segunda secretaria, mas foi preterido quando o nome de Da Vitória passou a ganhar força.
A saída dele da Mesa atende o interesse do deputado Marcelo Santos (PMDB), que nos bastidores foi o principal incentivador da candidatura de Musso, e divide eleitorado ??? Cariacica ??? com o redista. Para alguns deputados a movimentação tem, além do Palácio Anchieta, a digital de Theodorico Ferraço para manter seu poder de influência na Casa, com Enivaldo na Mesa.

