Entre as várias mexidas que o governador Renato Casagrande tem feito para acomodar sua enorme base política, uma grande dificuldade tem sido encontrar um espaço para o deputado estadual Esmael Almeida (PMDB). Com o retorno de Rodrigo Coelho (PT) à Assembleia, Esmael perde a vaga de suplente, mas haveria um compromisso do governador em não deixá-lo desamparado.
A ideia de levar Esmael para a Cesan parece que não vai vingar, e também não haveria outro cargo em que o perfil de Esmael se encaixe. A acomodação de Esmael implica também na organização das igrejas Assembleia de Deus, onde ele tem influência política, e pela capacidade de apoio do deputado.
Foi esse apoio importante para a eleição de Luciano Rezende (PPS) em Vitória e será importante para a reeleição do governador Renato Casagrande. Daí a necessidade de encontrar um espaço político para o deputado, que acaba se convertendo em um só caminho: a manutenção do peemedebista na Assembleia.
O governador tem duas formas de conseguir isso. A primeira seria puxando um parlamentar para sua equipe de governo dentro da coligação PMDB-PSB e PT, siglas que estiveram juntas na eleição de 2010, o que parece difícil, já que o governador tem reservado seu secretariado para os aliados sem mandato, como os prefeitos derrotados na eleição deste ano.
A segunda maneira seria em médio prazo. No final de maio, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Marcus Madureira, vai atingir a idade limite para aposentadoria compulsória, abrindo uma vaga no Tribunal. Como a vaga pertence à Assembleia, a ida de um deputado para o TCES abriria a vaga necessária para o retorno de Esmael à Casa.
Apesar de o governador ter uma predileção pela escolha do deputado Dary Pagung (PRP) para a vaga, a necessidade de acomodar Esmael pode fazer com que ele mude de ideia. Dentro da coligação PMDB-PT-PSB, há dois candidatos em potencial ao Tribunal, Sérgio Borges (PMDB) e Cláudio Vereza (PT).
Para os meios políticos, nessa acomodação quem poderia levar a melhor é o petista, o que seria uma contradição. Isso porque, a bancada do PT teve em outros governos, uma posição contrária à indicação política para os cargos de conselheiro do Tribunal de Contas. Entre um dos maiores defensores do concurso público para a ocupação do cargo, sempre esteve o deputado Cláudio Vereza.