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Sábado, 24 Outubro 2020

‘Paulo Hartung é um coronel da pior espécie’, diz Luis Nassif na TV GGN

‘Paulo Hartung é um coronel da pior espécie’, diz Luis Nassif na TV GGN

Em vídeo postado na noite dessa quinta-feira (22) no canal do Portal GGN no Youtube, o jornalista Luis Nassif alerta para o “tiro n'água” que é o apoio da XP Investimentos à escalada de Luciano Huck e Paulo Hartung (sem partido) para disputar a Presidência da República num cenário próximo de “implosão” de Jair Bolsonaro (PSL), em função de suas “maluquices e destemperos”, exacerbados desde que vestiu a faixa presidencial.



Chamando o ex-governador do Espírito Santo de “pajem” e “orientador” do apresentador global, Luis Nassif sugere que a XP e o Itaú levantem mais informações sobre o histórico de Paulo Hartung. “Conversa com Fernando Henrique Cardoso. Conversa com o pessoal do Espírito Santo pra mostrar o que era o estilo Paulo Hartung, d'uma violência!”, alerta.



Criticando a postura da Rede Globo e sua Globo News de “levantar a bola” de Hartung “como se fosse um gestor moderno”, o jornalista é tachativo: “É um coronel da pior espécie”, desabona.



“Vai lá no Espírito Santo e converse com Luiz Paulo Vellozo Lucas, Zé Inácio, que foi governador do Espírito Santo, converse com os antigos aliados do Paulo Hartung, com Fernando Henrique, que pertencia ao mesmo partido do Paulo Hartung. Quem é o Paulo Hartung”, aconselha.



A menção ao ex-governador capixaba se dá num contexto de especulação sobre as possibilidades de substituição a Bolsonaro no Palácio da Alvorada. Substituição essa que já está em curso, entende o jornalista, e que tem o atual recolhimento enigmático do vice, General Hamilton Mourão (PRTB), como um dos tantos claros sinais da derrocada em curso de Jair Messias, a quem classifica como binário.



“De um tempo pra cá ele [Mourão] está recolhido. Seguramente ele está se preservando, aguardando o momento de substituir o Bolsonaro”, afirma Nassif. Com suas atuais trapalhadas em relação à Amazônia, Bolsonaro teria “atravessado o Rubicão”, sendo uma questão de tempo – não se sabe ainda quanto tempo – a sua saída.



“Mourão certamente está aguardando percebendo que o Bolsonaro vai sozinho pro precipício ou morro, né, porque tem essa questão das milícias”. “Bolsonaro vai implodir sozinho”, prevê. Mourão, porém, tem se mostrado tão despreparado quanto o seu presidente. 



“Não tem jeito de dar certo!”, diagnostica Nassif no vídeo, onde também traça crítica ácida à condução de Paulo Guedes no Ministério da Economia, a quem acusa de somente promover “factoides, sem uma estratégia de recuperação do país” e de ser apoiado por uma “economia clandestina”.



A provável saída da dupla traz uma grande questão que é “como será feita essa a substituição”, pois as “autoridades nos demais poderes em Brasília” são “de uma fraqueza, de uma subserviência!” “Então a onda vai ter que ser maior pra que eles pulem do barco e tomem alguma posição”, cutuca o fundador do GGN.



'Denorex'



As críticas e alertas de Luis Nassif sobre a falsa imagem de renovação política – ou apolítica, como muitas vezes o global tenta se fazer crer – à qual a dupla Huck e Hartung tenta se atrelar foram feitas neste Século Diário no último domingo (18) pelo atual diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Luiz Paulo Vellozo Lucas (Cidadania).



Ex-aliado de Paulo Hartung nos tempos em que ambos estavam filiados ao PSDB, Luiz Paulo também chama de falsa a embalagem de bom gestor que Hartung tenta emplacar ao lado de Huck, em sua projeção nacional. “É verossímil, não é verdade. É uma ilusão cognitiva”, classifica. “É 'denorex', parece, mas não é”, ironiza o ex-prefeito de Vitória.



Luiz Paulo também se antecipa a Nassif ao afirmar que os políticos e intelectuais da Economia que no momento vibram com a movimentação política de Paulo Hartung não conhecem sua verdadeira conduta como gestor estadual.



“O Luciano Huck e a Casa das Garças não sabem de nada disso”, afirmou Luiz Paulo, referindo-se ao “templo” dos economistas liberais do Brasil, como Pedro Malan, Armínio Fraga, Samuel Pessoa e Marcos Lisboa, com quem Paulo Hartung tem dialogado desde que se viu impossibilitado de disputar o Palácio Anchieta em 2018, diante dos erros cometidos na sua terceira gestão.



Erros que o ex-prefeito resume à forma como foi feito o propalado ajuste fiscal, necessário, sim, diante da crise econômica nacional que se instalava em 2015, mas que deveria ter sido feito de forma mais pactuada com os setores da sociedade.



“O equilíbrio fiscal é um meio, não é o fim em si mesmo”. Não gastar mais do que se arrecada é um meio de ser governar bem. Mas, “em seu terceiro mandato, ele cuidou apenas disso”, expôs. “Ele paralisou todos os investimentos, mesmo os que tinha fonte assegurada, com financiamento do BNDES [Banco Nacional do Desenvolvimento]”, contou, citando o Cais das Artes, estradas, saneamento e outras obras de infraestrutura.



Má e velha política



Além disso, prossegue, a pactuação póstuma ao ajuste fiscal foi de baixa qualidade. O superávit obtido no último ano de governo foi usado em “muita politicagem com municípios amigos”, gerando convênios de R$ 300 milhões. Foram “três anos fazendo um arrocho que não foi compactuado, o que gerou crises como a da PM”, para, no último ano, ter esse dinheiro sendo distribuído “em critérios de baixíssima qualidade”, “baseado em troca de favores”.



O resultado da péssima política e do fracasso das políticas públicas e investimentos essenciais, que foram aniquiladas entre 2015 e 2018, foi a derrota política absoluta nas terras capixabas.



“Acho inacreditável que ele [Paulo Hartung] esteja se apresentado ao lado Eduardo Mufarej e Huck sem ter participado das eleições de 2018. É inacreditável”, disse Luiz Paulo.



Já “o equilíbrio fiscal e retorno da credibilidade e confiança” do Espírito Santo, que Paulo Hartung tenta creditar somente ao seu avassalador terceiro mandato, é na verdade resultado do trabalho de vinte anos de toda uma geração de políticos, e que começou na Prefeitura de Vitória na gestão de Vitor Buaiz (PT), de 1989 a 1992.



“Um bom governo precisa de boa técnica e boa política, asseverou Luiz Paulo. “O terceiro mandato de Paulo prescindiu da política e fez crer que bastava compromisso do equilibro fiscal. É um equívoco”, decretou.

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Domingo, 25 Outubro 2020

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