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Pautas de segurança pública deverão se destacar na campanha eleitoral

Gestão do governador Renato Casagrande tem dado cada vez mais prioridade ao tema

Governo ES

Pautas relacionadas à segurança pública tendem a ganhar bastante destaque no processo eleitoral de 2026 no Espírito Santo. O tema tem sido um dos focos da gestão do governador Renato Casagrande (PSB), e figuras que atuam na área são constantemente cogitadas para candidaturas.

Nessa quinta-feira (15), Renato Casagrande anunciou que vai encaminhar para a Assembleia Legislativa (Ales), em fevereiro, uma proposta de reforma administrativa nas forças de segurança prevendo a criação de novos batalhões da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros pelo Estado. Estima-se que as mudanças impliquem mais de 1 mil profissionais promovidos e abertura de novas vagas nas corporações.

O anúncio ocorreu um dia depois de a Associação dos Oficiais Militares do Espírito Santo (Assomes) vir a público cobrar da gestão estadual equiparação salarial com os delegados da Polícia Civil, beneficiados com reajustes em sua tabela remuneratória no ano passado. As categorias excluídas da política de valorização alertaram para o risco de uma “crise institucional na segurança do Estado”.

Na apresentação que fez no ano passado durante o evento em que anunciou que apoiaria o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) na disputa por sua sucessão, Casagrande também destacou os números de sua gestão na segurança pública, que, segundo a administração estadual, mostram o Estado alcançando a maior redução de homicídios dos últimos 29 anos.

As inaugurações de Totens de Segurança em seis municípios da Grande Vitória no ano passado também serviram como “palanques eleitorais”, sempre contando com a presença de pré-candidatos governistas.

Nomes cotados

Ao lado de Casagrande no anúncio da última quinta-feira estavam o secretário estadual de Justiça, Rafael Pacheco, e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Douglas Caus. Ambos se dizem fiéis ao grupo do governador e são cotados para possíveis candidaturas nas eleições deste ano. No caso de Pacheco, o Partido Socialista Brasileiro (PSB), o mesmo do governador, tem tentado atraí-lo.

Douglas Caus teve uma experiência de embate político no ano passado relacionado às queixas dos oficiais da Polícia Militar. O deputado estadual Coronel Weliton (PRD) chegou a dizer que recebeu a informação de que o coronel teria sido chamado para “contribuir” com o projeto de lei de reajuste dos delegados, mas alegou “outras prioridades”. Caus, então, publicou um vídeo dizendo que foi “surpreendido” com a fala, e que “é mentira” que tenha sido consultado pelo governo sobre o aumento dos delegados.

Outro nome ligado à área da segurança pública que pode aparecer nas eleições é o do o delegado da Polícia Civil Romualdo Gianordoli Neto, exonerado em dezembro do cargo de subsecretário de Inteligência na Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp). Gianordoli resolveu fazer acusações relacionadas à sua exoneração, e o assunto ainda deve render na Justiça.

Romualdo está no radar do Missão, recém-criado partido do Movimento Brasil Livre (MBL) que está começando a se articular no Estado – e que pretende dar prioridade ao tema da segurança pública. Gionordoli também deverá receber convites de outras siglas.

Contexto

Segurança pública é um dos temas que mais causa preocupação na população brasileira. A repercussão da chacina nos complexos do Alemão e da Penha, em outubro do ano passado, contribuiu para colocar o assunto ainda mais em evidência.

Nesse contexto, o fato de o partido do governador ser o autor da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, mais conhecida como APPF das Favelas, não passou despercebido por figuras de extrema direita que buscaram usar a chacina para fustigar Casagrande.

“O governador é um dos líderes do PSB, o partido que entrou no STF com aquela ADPF para impedir a polícia de trabalhar, para impedir a polícia de realizar operações nas favelas e comunidades, que permitiu que o crime organizado pudesse se armar e se entrincheirar tanto durante anos”, afirmou o deputado estadual de extrema direita Lucas Polese (PL), em vídeo nas redes sociais naquela ocasião.

A ADPF das Favelas resultou na imposição de regras pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para a realização de operações policiais nas periferias do Rio de Janeiro, além determinar que a Polícia Federal investigasse os elos entre o crime organizado e o poder público – resultando, inclusive, na prisão do desembargador capixaba Macário Júdice Neto.

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