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Perfil não habilita Max Filho para fazer oposição sistemática ao PT na Câmara

Nos últimos dois dias, o deputado federal Max Filho (PSDB) tem sido ouvido ao lado do futuro colega de bancada na Câmara, Helder Salomão (PT), em um cenário de contraponto entre os dois projetos políticos que disputaram a eleição presidencial. Os dois falaram nessa terça-feira (28), no Bom Dia ES; e nesta quarta-feira (29) na CBN-Vitória, com o propósito de discutir os temas da agenda pós-eleição. 
 
Helder Salomão adotou uma posição de defesa da presidente reeleita Dilma Rousseff e tentou desconstruir a imagem de que o governo federal isolou o Espírito Santo em relação a investimentos. Já Max Filho mostrou que não tem o DNA tucano para aproveitar o momento pós-eleição para endurecer o discurso contra o PT. 
 
Nas duas entrevistas, havia a tentativa de se criar um clima de enfrentamento entre o petista e o tucano, para colocar os dois lados da discussão que agora passa pela reforma política, mas Max Filho não foi incisivo em suas críticas à presidente. 
 
É preciso ponderar que o ex-prefeito de Vila Velha é um novato no ninho tucano. Não tem a mesma linha política de seus companheiros. O ex-prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas, por exemplo, é um tucano de longa plumagem e seu discurso sempre segue a linha de enfrentamento e crítica ao PT.
 
Mesmo em disputas municipais sua linha ideológica é de seguir na oposição dura ao partido que derrotou o PSDB nas quatro últimas disputas presidenciais. Situação muito diferentemente de Max Filho, que ingressou no partido por causa da movimentação política daquele momento. Como foi para o PSDB poderia ter ido para PSB, e faltou pouco para não ser acolhido no ninho da pomba.
 
Max Filho, quando esteve à frente da prefeitura de Vila Velha, mesmo quando sofreu uma espécie de embargo do governo do Estado por desalinhamento com o grupo político de Paulo Hartung, nunca teve uma postura de enfrentamento dura ao governador que era seu desafeto político. 
 
O prefeito deixou o PDT porque o presidente do partido, Sérgio Vidigal, na época o isolou dentro da sigla antes da eleição de 2010. Como Hartung tinha o controle da classe política, vários partidos fecharam a porta para o ex-prefeito. 
 
O ingresso de Max Filho no ninho tucano se deu nessas condições. O partido abriu as portas para que ele pudesse disputar a eleição de deputado federal naquele ano. Por isso, para a classe política tentar colocar em Max Filho um rótulo de oposição incisiva dentro da linha que segue o PSDB nacional hoje, vai ser inútil. O partido tem adotado uma linha de enfrentamento que deve se acirrar ainda mais no segundo mandato de Dilma. 
 
Como a bancada capixaba tem pouco espaço de movimentação no Congresso Nacional, o discurso de Max Filho contra o governo nacional ficará em segundo plano, já que há tanto na Câmara como no Senado há tucanos com uma verve oposicionista muito mais forte do que a do ex-prefeito de Vila Velha.

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