A pesquisa Futura, publicada no jornal A Gazeta nesta quarta-feira (29), teve uma leitura bem clara nos meios políticos, no sentido de preparar o campo eleitoral para que o governador Paulo Hartung (PMDB) possa criar as condições para que seu principal adversário político, o ex-governador Renato Casagrande (PSB), tenha dificuldades em conseguir um retrospecto positivo, seja direta ou indiretamente.
Ao alçar, a um ano e meio da eleição de 2016, o nome do presidente do Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes), Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), como favorito para a disputa, a pesquisa cria um clima de insegurança no grupo do prefeito Luciano Rezende (PPS) e mostra que o grupo de Hartung tem um trunfo para o pleito.
Embora venda o nome do deputado federal Lelo Coimbra (PMDB) como o que seria apoiado pelo Palácio Anchieta, a mensagem passada na pesquisa é de que o trunfo do governo, na verdade, é o ex-prefeito Luiz Paulo. Cria-se, assim, uma expectativa de revanche da disputa de 2012, em que o tucano perdeu o segundo turno da eleição para Luciano Rezende.
Nos quatro cenários apresentados na pesquisa, Luiz Paulo aparece como vitorioso tanto contra Luciano Rezende quanto contra Renato Casagrande. No primeiro cenário, Luiz Paulo teria 26,8% e Luciano Rezende 20%. No segundo cenário, o tucano teria 23,5% e Renato Casagrande 18,8%.
O único cenário em que Rezende sairia vitorioso é o que ele é apontado sem a presença de Luiz Paulo. Neste caso, ele teria 23%. O quarto cenário coloca em confronto Casagrande e Luciano, mostrando que nesta disputa o socialista leva vantagem. Casagrande vem apostando na aliança formada com o prefeito.
Mas, para algumas lideranças políticas, a ideia é promover a difusão do medo, mostrando que para conseguir êxito, os candidatos devem se aproximar do Palácio Anchieta. Esta movimentação pode ser observada, por exemplo, na ida do ex-prefeito de Vila Velha, Neucimar Fraga, para o PSD, um partido que hoje vive sob a influência do governador.
A estratégia seria a de deixar claro para o prefeito de Vitória que, sem o apoio palaciano, ele não teria chances na disputa. Com isso, Hartung consegue passar a impressão de que Casagrande não teria chances contra o nome apoiado pelo Palácio Anchieta.
Para isso, um outro elemento da pesquisa tem bastante influência. Embora bem longe dos quase 90% de aprovação apontados pelo mesmo instituto, em dezembro de 2010, quando Hartung deixou o governo, os 40,7% de aprovação o colocam em uma posição confortável para ser alçado ao posto de grande eleitor da disputa municipal do próximo ano.
O dado recupera a imagem do governador, que não teve um bom retrospecto na eleição na Grande Vitória e enfrenta uma série de problemas na gestão em seu início de terceiro mandato. A aprovação do governo o coloca no jogo político, em condições de criar o campo eleitoral para a disputa mais importante do próximo ano, e que tem influência no jogo político estadual.

