Projeções realizadas pelo banco Santander, publicadas no jornal O Globo desta quinta-feira (15), mostram um cenário bem diferente do que vem sendo alardeado pelo governo do Estado desde o início do ano. O Espírito Santo aparece com a segunda melhor projeção no mapa retração do PIB. A projeção do banco aponta um cenário de retração em 26 estados, com expectativa de que nenhum estado apresente crescimento em 2015.
Mas, apesar de o governador Paulo Hartung (PMDB) e sua equipe econômica apontarem um cenário desolador, a situação do Espírito Santo em relação aos demais estados não é nada ruim. A projeção do banco é que o Estado tenha uma retração de – 0,3%, ficando atrás apenas do Pará, que não deve ter recuo nem crescimento.
Além de Pará e Espírito Santo, estão no mapa de forma mais confortável Mato Grosso do Sul, com – 1,1; Mato Grosso, com -1,4%; Paraná, com -1,7%; Sergipe, com -1,8% e Roraima, 1,9%. O pior cenário projetado é para Pernambuco, com queda de 3,7%.
A explicação para os índices do Espírito Santo e do Pará é a semelhança do modelo industrial, baseado no mercado externo das commodities. Com a alta do dólar e a melhora da economia em nível mundial, as indústrias de semi-elaborados ganham destaque. Mesmo com a queda do preço do minério no mercado internacional, o aumento do volume exportado tem segurado a economia.
Com esse estudo, vai ficar difícil para o governo manter o discurso de que a crise econômica vem afetando o Estado. Para os meios políticos, Hartung vem usando essa afirmação para evitar ter que socorrer os prefeitos em crise, para não dar continuidade a obras iniciadas no governo passado e manter os cortes nos gastos e nos investimentos, além de represar os pleitos por reajuste dos servidores públicos estaduais. Com isso, espera fazer caixa e sustentar a imagem de excelente gestor que tirou o Espírito Santo de uma crise causada pela má gestão do antecessor, Renato Casagrande (PSB).
Como o estudo é feito por um banco privado, sua visão do mercado é mais confiável, o que reforça a derrocada do discurso. O Espírito Santo sempre teve diante das demais unidades federadas a imagem de um Estado rico. Mesmo assim, as lideranças capixabas insistem em adotar o discurso de que o governo federal não dá atenção ao Estado.