Léo Camargo era um dos principais pré-candidatos a deputado estadual da sigla

A Executiva do Partido Liberal (PL) de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado) informou, em comunicado oficial nessa segunda-feira (30), que solicitou que o ex-vereador Léo Camargo se desligue da sigla. A decisão tem sido recebida com surpresa, tendo em vista que Camargo era considerado um dos principais nomes da sigla para disputar uma vaga de deputado estadual.
Na nota – que circulou em aplicativos de mensagens, mas não foi postada em redes sociais do partido no Estado –, o PL alega que Léo adotou “posicionamento divergente da orientação da Executiva Estadual”. O texto afirma que a decisão foi tomada para “evitar desgastes no momento da Convenção Partidária”, tendo sido adotada de forma “antecipada, transparente e respeitosa, permitindo que o referido pré-candidato tenha liberdade para escolher outro partido de seu interesse”.
Em nota nas redes sociais, Léo Camargo atribuiu o pedido de desligamento ao fato de apoiar a pré-candidatura do deputado estadual Callegari (DC) a senador – o Partido Liberal trabalha com a pré-candidatura de Maguinha Malta. Ele criticou a decisão “unilateral” do PL, mas expressou “gratidão ao senador Magno Malta [presidente estadual] e aos militantes do PL por todos os anos de convivência e pela confiança depositada em mim até aqui”.
“O Espírito Santo conhece a luta do deputado Callegari por um Brasil conservador e, como teremos duas vagas para o Senado em 2026, meu compromisso com a direita capixaba foi selado desde o início: apoio a Wellington Callegari e a Maguinha Malta. Sou um homem de uma palavra só e seguirei firme no apoio a ambos e a todos os demais candidatos que defendem Deus, nossa pátria e os nossos valores da família cristã brasileira”, escreveu.
Léo Camargo foi vereador de Cachoeiro de 2021 a 2024, tendo sido eleito com mais de 2 mil votos. Nas últimas eleições, foi candidato a prefeito e ficou em segundo lugar, com 23,8 mil votos. Foi um resultado expressivo, ainda mais considerando que ele não era a primeira opção do PL, e sim Júnior Corrêa (Novo), que se desentendeu com Magno Malta – depois, acabou eleito vice-prefeito.
Passadas as eleições, Camargo se tornou assessor na Assembleia Legislativa, primeiro no gabinete de Callegari, e depois na Mesa Diretora comandada pelo deputado estadual Marcelo Santos (União). A proximidade com Marcelo, inclusive, fez surgir especulações de que Léo migraria para o União Brasil, se colocando como pré-candidato a deputado federal, o que ele sempre negou em público.
Com a saída de Léo Camargo, o PL vai perder um nome forte para disputar vaga na Assembleia Legislativa. Vale destacar que, em 2022, foram eleitos quatro deputados estaduais de Cachoeiro: Allan Ferreira (Podemos), Callegari (eleito pelo PL), Dr. Bruno Resende (União) e Theodorico Ferraço (PP). Os vereadores cachoeirenses do Partido Liberal Creone da Farmácia e Coronel Fabrício deverão se candidatar este ano.
O PL também poderá ter problemas com a chapa para deputado federal. Isso porque Gilvan da Federal, principal nome do partido, sofreu condenações judiciais e segue inelegível, o que pode diminuir bastante a votação da sigla – ele foi o segundo mais votado à Câmara em 2022.
O próprio Callegari decidiu sair do PL no ano passado por causa da falta de espaço para suas pretensões de pré-candidato a senador. A tendência é que Léo Camargo siga o mesmo caminho em direção ao Democracia Cristã (DC), mas o ex-vereador ainda não confirmou seu destino partidário.

