O Senado aprovou em dois turnos a janela de 30 dias para que os parlamentares possam mudar de partido sem serem enquadrados na regra da infidelidade partidária. Com a criação da brecha, a expectativa do mercado político nacional é de que o Partido da Mulher Brasileira (PMB) desidrate nos próximos dias. O partido que ganhou 20 parlamentares em duas semanas já começa a contabilizar as baixas.
O PMB foi procurado pelos parlamentares porque, por ser um partido novo, garantia a troca sem infringir a regra. Mas a janela permite que as lideranças se acomodem de forma mais estratégica, visando à disputa de 2016. Neste sentido, no Estado, a migração do deputado estadual Amaro Neto do PPS para o PMB, está sendo vista como uma movimentação precipitada.
Isso porque se o partido sofrer a desidratação que está sendo esperada, ele pode se tornar uma sigla nanica para as pretensões de Amaro, que é a disputa à prefeitura da Capital. Embora tenha grande popularidade, o deputado precisa de força política para construir seu palanque na disputa de Vitória, que promete ser bastante acirrada.
A janela partidária também pode promover uma dança das cadeiras na Assembleia Legislativa. Em relação à eleição de 2014, já houve algumas mudanças. Edson Magalhães foi eleito pelo DEM e migrou para o PMDB; Marcos Bruno, eleito pelo PRTB, se filiou à Rede. O partido de Marina Silva, porém, não cria expectativas de crescimento muito grande com a abertura da janela. A sigla vem mostrando desentendimentos internos que afastam os interessados.
Recentemente, o deputado Rodrigo Coelho, que deixou o PT, foi convidado para integrar o partido pelo prefeito da Serra e principal liderança da Rede no Espírito Santo, Audifax Barcelos, mas o diretório da nova sigla reprovou a filiação do ex-petista. Como o deputado rompeu com o PT no litigioso, não precisa da janela para escolher um novo abrigo partidário. No final das contas, Coelho também se precipitou. Se tivesse esperado um pouco mais, poderia evitar o constrangimento de sair pelas portas do fundo do partido responsável pela construção de toda a sua trajetória política.
As expectativas no plenário são sobre alguns nomes que podem aproveita a janela para procurar outras siglas. O deputado Sandro Locutor é um dos que estariam de malas prontas para deixar o PPS. Ele estaria em conversas com o PTB. Sérgio Majeski ensaiou a saída do PSDB para a Rede, mas as conversas não avançaram, a janela pode ser uma oportunidade de revoada do tucano, caso ele tenha realmente a pretensão de disputar a prefeitura de Vitória, uma vez que o palanque tucano já tem nome cativo: Luiz Paulo Vellozo Lucas.
Raquel Lessa integra o Solidariedade, de Carlos Manato. O partido, porém, perdeu muitos de seus membros recentemente, sobretudo vereadores, e há conversas nos bastidores sobre a possibilidade de a deputada disputar a eleição em São Gabriel da Palha no próximo ano por outro partido.
Hudson Leal protagonizou uma briga interna no PRP há alguns meses. Ele queria o controle do partido em Vila Velha, o que foi negado. O problema foi aparentemente resolvido, mas a janela pode abrir uma possibilidade negociar com outros partidos, caso o deputado tenha pretensões eleitorais em 2016, já que o PRP vai apostar na candidatura do ex-secretário de Esportes do município, Alexandre Salgado.
Com a desidratação do PR no Estado, o mercado político avalia que o deputado Gilsinho Lopes também possa procurar outro caminho político. O líder do governo, Gildevan Fernandes também estaria sondando a possibilidade de deixar o PV e se filiar ao PMDB do governador Paulo Hartung.

