O período eleitoral ainda nem começou, mas o cenário político da Serra já vive na iminência de mais uma disputa polarizada entre o atual prefeito Audifax Barcelos (Rede) e o deputado federal e ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT).
Com o início da disputa propriamente dita, essa situação pode até se alterar, mas a expectativa na cidade é de um embate radicalizado entre o prefeito e seu antecessor. Mesmo com outros nomes de visibilidade se articulando no cenário a impressão é de que os espaços ficam estreitos para novas investidas no município.
O ex-deputado estadual Vandinho Leite (PSDB) tem uma boa projeção na cidade e tem feito desde o ano passado encontros de avaliação dos problemas da Serra. O deputado federal Givaldo Vieira (PT), que passou um bom tempo afastado de sua principal base, vem procurando a reaproximação com o eleitor serrano, mas também encontra dificuldade.
Ambos, porém, esbarram em uma situação que favorece Vidigal e Audifax: a experiência à frente do executivo municipal. Vandinho foi secretário estadual de Esportes no governo de Renato Casagrande (PSB), e Givaldo vice-governador. Mesmo com a projeção estadual, o eleitor da Serra ainda não parece reconhecê-los como lideranças em condições de quebrar a polarização que se estabelece na Serra desde 1996.
De lá para cá, apenas esse projeto-político tem imperado no município, sem chances para outras lideranças. Em 2004, depois de dois mandatos à frente da prefeitura, Vidigal apoiou seu então secretário de Educação Audifax Barcelos, como sucessor em uma eleição até povoada.
Venceu com larga distancia dos adversários: o ex-deputado federal Feu Rosa, o ex-prefeito João Batista Motta, Mauro Luiz e Hamilton Luiz. Em 2008, porém, o PDT negou a ele a chance da reeleição e Vidigal disputou a eleição contra Tio João.
O novo mandato de Vidigal, porém, não repetiu o êxito dos anteriores. Em 2012, mergulhado em crise, Vidigal foi vencido por Audifax, seu antigo aliado, no primeiro turno de forma avassaladora. O PSOL apresentou candidatura com Professor Renato, que embora tenha conseguido um bom desempenho, graças ao voto ideológico, não conseguiu alterar a radicalização da disputa.
A situação para 2016 é inversa, assim como a maioria dos prefeitos, Audifax enfrenta queda de popularidade muito em função da crise econômica que engessou os investimentos, comprometendo as promessas de campanhas. Isso também aconteceu com Vidigal na eleição passada, que governou sob os efeitos da crise econômica mundial de 2008/2009.
Vidigal saiu em baixa da prefeitura, mas diante do desgaste do atual prefeito, se fortalece. Embora o cenário político aponte para um cansaço da população com essa alternância, a tendência é de manutenção desse embate, já que mesmo com o desgaste de ambas as lideranças, o eleitor serrano parece ainda não reconhecer nas demais lideranças do município, condições políticas que o façam romper o com o projeto que vem sendo dividido por Audifax e Vidigal alternadamente à frente da prefeitura. A disputa na Serra, pelo menos por enquanto, aponta para um eleitor mais conservador, que prefere se apegar à experiência a arriscar o novo, a mudança, como nas eleições de 2012.

