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Polícia Federal desmonta esquema de fraudes em registros sindicais no Estado

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (30) uma operação para desarticular organização criminosa suspeita de fraudes na concessão de registros sindicais junto ao Ministério do Trabalho, envolvendo a Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores (UGT).
O presidente da Força Sindical no Espírito Santo, Alexandre Martins, que está em seu segundo mandato, afirmou desconhecer a operação. “Estou no interior do Estado [não quis informar o local] tratando de assuntos pessoais e só retorno segunda-feira. O que sei é pela imprensa”,  disse. 
O sindicalista manifestou preocupação com sua imagem e não quis comentar o envolvimento do deputado federal  Paulinho da Força, presidente nacional da entidade de classe.  
A operação da Polícia Federal foi realizada no Espírito Santo, Distrito Federal, São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais. Entre os alvos da operação, estão os deputados federais Paulinho da Força (SD-SP), Jovair Arantes (PTB-GO) e Wilson Filho (PTB-PB). A PF cumpriu buscas nos gabinetes dos parlamentares na Câmara dos Deputados. 
Matéria divulgada no jornal Folha de S.Paulo informa que a prisão dos parlamentares chegou a ser pedida pela PF, mas foi rejeitada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda segundo a reportagem, um dos objetivos da operação é apurar “loteamento” do Ministério do Trabalho pelo partidos PTB e Solidariedade. 
Segundo as investigações, o núcleo político do esquema teria como participantes o ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, os deputados Paulinho da Força, Wilson Filho e Ademir Camilo Prates Rodrigues (MDB-MG) e os senadores Dalírio Beber (PSDB-SC) e Cidinho Santos (PR-MT), atualmente licenciado do mandato.
Ao todo, a operação batizada de Registro Espúrio cumpriu 64 mandados de busca e apreensão, oito mandados de prisão preventiva (sem prazo determinado) e 15 de prisão temporária (de até cinco dias), além de outras medidas cautelares. Entre os alvos de mandados de prisão, estão Leonardo José Arantes e Rogério Papalardo Arantes, sobrinhos do deputado Jovair Arantes (PTB-GO).
As apurações começaram há um ano, segundo a PF. São investigados crimes de organização criminosa, corrupção passiva e ativa, e lavagem de dinheiro.
De acordo com a PF, as investigações revelaram “um amplo esquema de corrupção dentro da Secretaria de Relações de Trabalho do Ministério do Trabalho, com suspeita de envolvimento de servidores públicos, lobistas, advogados, dirigentes de centrais sindicais e parlamentares”.
O jornal paulista informa que, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o esquema de fraudes nos registros sindicais funcionava em secretarias do Ministério do Trabalho responsáveis pela análise de pedidos de registro.
As fraudes incluiriam desrespeito à ordem cronológica dos requerimentos de registro sindical e direcionamento dos resultados dos pedidos.
Os pagamentos envolviam valores que chegaram a R$ 4 milhões pela liberação de um único registro sindical, segundo a investigação.
O MPF afirma, ainda, que no decorrer do inquérito a Polícia Federal identificou a existência de um esquema criminoso estruturado em cinco núcleos de atuação: administrativo, político, sindical, captador e financeiro.
O núcleo administrativo seria formado por pelo menos 10 servidores do Ministério do Trabalho e tinha a incumbência de viabilizar as fraudes; o político seria formado por parlamentares e ex-parlamentares,  que indicavam e mantinham cargos estratégicos do ministério dos servidores que faziam parte do esquema; e o sindical tinha a missão de fazer o contato com os funcionários públicos encarregados de operacionalizar as fraudes.

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