O manifesto dos policiais destaca que o governo mobiliza a intolerância e o ódio aos movimentos nas ruas
Policiais do Espírito Santo se integram à luta nacional contra o fascismo e organizam o Movimento dos Policiais Antifascismo no Espírito Santo. “Nós, policiais antifascismo, acreditamos que o trabalhador policial deve se colocar ao lado dos demais trabalhadores no enfrentamento ao fascismo. Afinal, o projeto fascista em nosso país é de avanço no ataque aos direitos conquistados pelos trabalhadores”, afirmam os organizadores.
Nesta segunda-feira (8), o movimento, “em consonância com o movimento nacional”, divulgou um manifesto defendendo “a defesa da democracia popular e a luta contra a escalada do fascismo em nosso país”. O documento é assinado por 500 profissionais da segurança pública de diversos estados.
“Convidamos todos os policiais civis, federais, rodoviários federais, militares, bombeiros, guardas municipais, policiais penais, agentes socioeducativos e demais trabalhadores do sistema de segurança pública a se unirem ao nosso movimento e assinarem este compromisso com a verdadeira democracia”, diz a nota dos policiais.
A criação do movimento ocorre uma semana depois de o prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros (PCdoB), denunciar que alguns policiais, por serem bolsonaristas, se recusam a cumprir as recomendações de combate à pandemia do coronavírus. Nesse domingo (7), o prefeito divulgou um vídeo afirmando que um policial invadiu a prefeitura e fez ameaças, classificando o bolsonarismo como uma “ideologia do mal”.
O manifesto dos policiais destaca que se apresenta neste momento, como uma ameaça singular, a “institucionalização e o avanço destes mecanismos de controle e repressão, que pretendem afastar toda e qualquer forma de oposição ao modelo político-jurídico-econômico neoliberal”.
O manifesto dos policiais afirma que “as milícias e grupos paramilitares reais, que estão se organizando em todo o país, com a proteção e conivência de muitas autoridades, não são o único problema a ser enfrentado na luta antifascismo no Brasil. O projeto de neutralização dos movimentos populares de resistência passa por uma estrutura que conta com uma rede de operadores de poder, como parlamentares, promotores de justiça e magistrados”.
O documento afirma que a estratégia de avanço do projeto fascista no país é ampla. “Mobilizam a intolerância e o ódio aos movimentos de esquerda nas ruas e nas instituições da República. Os esforços do presidente, visando se apropriar do comando da polícia federal e da Procuradoria Geral da República, confirmam isso. Precisamos avançar a resistência para uma aliança popular antifascismo”.
“Somente a resistência organizada, que garanta a participação popular, poderá cumprir essa tarefa”, e acrescenta: “Essa ofensiva atinge diretamente os policiais, apontando cada vez mais para a privatização da segurança e para o aumento da precarização do seu trabalho”.
O manifesto destaca ainda o número de suicídios entre policiais, um “sintoma das péssimas condições a que estão submetidos os trabalhadores do sistema de segurança pública em nosso país. Disputar o reconhecimento dos policiais como trabalhadores faz parte da nossa tarefa enquanto policiais antifascismo. Afinal, somos irmãos trabalhadores!”.

