O que leva um empresário bem-sucedido no setor privado ao se arriscar na vida pública? Alguns empresários veem ruir suas imagens construída ao longo de anos na vida privada por causa de gestões mal avaliadas ou processos judiciais acumulados na administração pública. A busca pelo poder pode levar empresários que construíram invejáveis patrimônios a colher mais reveses do que louros. Esses são apenas alguns exemplos de gestores para quem dinheiro não é problema, mas as dificuldades de se administrar a máquina pública, sim.
Entre os prefeitos que deixam o cargo este ano, chama a atenção casos como o do prefeito de São Mateus, norte do Estado, Amadeu Boroto (PSB). Empresário do ramo de calçados, Boroto tinha uma carreira empresarial bem-sucedida, mas o sucesso alcançado na vida política não foi o mesmo.
O primeiro mandato foi bem, embora sua reeleição se devesse mais à falta de adversários fortes do que propriamente à excelência da gestão. Mas ao chegar ao segundo mandato, ele não teria popularidade hoje para eleger um sucessor. O prefeito está com a imagem desgastada e sai da prefeitura sem o mesmo brilho de quando entrou.
Quem também deixa o cargo este ano é o prefeito de Conceição da Barra, Jorge Donati (PSDB), que antes de entrar na vida pública vivia muito bem com a administração de seus negócios no setor sucroalcooleiro. Donati também chegou ao segundo mandato e não está em uma situação ruim. Aliás, ainda teria condições eleitorais. Mas os problemas de saúde e os entreveros com a Câmara de Vereadores também trouxeram muita dor de cabeça, além dos problemas com a Justiça, que também não foram poucos nos últimos anos.
O produtor rural Hécules Favarato também não tinha uma vida nada ruim antes de ser prefeito de Montanha, mas os problemas na gestão foram tantos que em 2012 ele teve que lançar a candidatura do filho Ricardo Favaratto (PMN) porque estava inelegível.
Se tem um lugar no Espírito Santo em que eleição tem gente abastada na disputa, este lugar é Linhares, também no norte. O atual prefeito Nozinho Correa, proprietário de um abatedouro de carne, é um homem rico e foi eleito com o lema HH (homem honesto), que conquistou a população linharense. Hoje ele sai da prefeitura com uma reprovação muito alta e sem condições de reeleição, prova de que ele não conseguiu imprimir na gestão pública a experiência bem-sucedida acumulada na vida privada.
Outros nomes cotados para a disputa em Linhares também vêm da nata empresarial do município. O ex-prefeito Guerino Zanon (PMDB) foi o proprietário da maior faculdade privada do norte do Estado; Luiz Durão (PDT) não é chamado de Sheik por acaso e o ex-prefeito José Carlos Elias (PTB) é produtor rural. Zanon e Elias acumulam ações na Justiça e dividem opiniões dos eleitores.

