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Segunda, 02 Agosto 2021

​Professor usa a afetividade como política contra o autoritarismo

Nourival_Cardozo_Junior_oficinadoafeto_arquivopessoal Arquivo Pessoal

Um caminho para "uma pedagogia de resistência ao autoritarismo, ao racismo, ao fascismo e à intolerância" foi apontado nesta segunda-feira (14) em relato apresentado na Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, pelo professor de Geografia aposentado Nourival Cardozo Júnior, criador do projeto "Oficina do Afeto".

A metodologia, utilizada em escolas estaduais a partir do município da Serra, é baseada na abertura de diálogo com os alunos, com ênfase na necessidade de ouvi-los a respeito de problemas que extrapolam os ensinamentos em sala de aula. "Estou me propondo a fazer uma política que vai na contramão, por exemplo, do que a gente vê hoje na política nacional", disse o professor ao defender uma "política contrária à beligerância verbal", centrada na afetividade.

"É a pedagogia da delicadeza como ato político, se contrapondo à política da indelicadeza, da arrogância e da intolerância, presente nas relações interpessoais, principalmente no mundo político", enfatiza Nourival Júnior, que considera a "afetividade, também, como uma postura política".

O projeto "Oficina do Afeto" nasceu em 2006, época em que o professor foi ameaçado da morte por um aluno, na sala de aula, ocorrência que o impactou muito. Algum tempo depois, esse aluno, um adolescente, foi baleado e recebeu a vista do professor, ainda no hospital onde se encontrava internado.

A partir do diálogo, o professor sentiu a necessidade de possibilitar aos alunos meios pelos quais eles pudessem relatar seus problemas e anseios, passando a ouvi-los e, desse modo, conhecer o universo existencial de cada um. Os alunos passaram a escrever cartas sobre a vida fora do período escolar.

"Quando algum aluno me chamava, eu falava: 'registra isso, escreve, põe para fora, me entrega, eu vou ler e depois a gente conversa'", explica o professor, que ganhou o carinho, a admiração e o respeito de turmas inteiras com o registro de alterações de comportamento não apenas em sala de aula, mas junto à família e no convívio social.

Nourival Júnior fez o relato a convite do deputado Bruno Lamas (PSB), presidente da Comissão de Educação, que tem como membros efetivos os também deputados Alexandre Quintino (PSL), Dary Pagung (PSB), Renzo Vasconcelos (PP) e Sergio Majeski (PSB). 

O professor lecionou durante anos na Escola Estadual Maria Penedo, em Valparaíso, na Serra. Atualmente, mantém um site - www.oficinadeafeto.com - e, quando convidado, dá palestras sobre o tema, que sempre o emociona, por ser um fator importante para promover mudanças na sociedade.

"No início de 2006, retornei à sala de aula, exatamente para a mesma escola onde, há 28 anos, me descobri educador. Foi um reencontro marcante. A realidade já não era a mesma de anos atrás. Agressões, intolerância, violência e até rebeliões, isso mesmo, rebeliões de alunos, fizeram-me duvidar se aquele era mesmo o espaço do saber e do prazer, do ensinar e do aprender", relata Nourival.

Para ele, "só havia uma saída: a oficina. Não uma oficina de veículos ou objetos, mas de gente, uma Oficina de Afeto. Com ela, eu e os alunos viajamos em nosso mundo interior, o território das emoções, verbalizamos nossos sentimentos e os registramos, com o objetivo de resgatar a autoestima e liberar o desejo de aprender".

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