A migração do líder do governo na Assembleia Legislativa, Gildevan Fernandes, do PV para o PSDB já é uma realidade no ninho tucano. Mas os planos do governador Paulo Hartung (PMDB) de levar seus aliados para o partido não param por aí. Ventila-se a possibilidade de o vice-líder Erick Musso (PP) e o deputado Edson Magalhães (PMDB) também migrarem para o PSDB.
A discussão vai passar ainda pelos diretórios dos municípios dos deputados: Pinheiros (Gildevan), Aracruz (Erick Musso) e Guarapari (Edson Magalhães). A última palavra sobre a entrada dos parlamentares será da bancada na Assembleia. Também foi discutida a entrada do deputado federal Evair de Melo, sem nenhum questionamento. Na Executiva, há quem negue a movimentação, principalmente em relação a Edson Magalhães, já que o PSDB de Guarapari tem como candidato a prefeito, Carlos Von. Parte da Executiva entende que é importante repensar as filiações para não perder quadros importantes.
A entrada de Gildevan no partido deverá acelerar a saída do deputado estadual Sérgio Majeski. Caso os outros dois também entrem para o ninho, a situação do deputado ficará ainda mais difícil. Embora nunca tenha sofrido qualquer tipo de pressão por parte das lideranças tucanas para desacelerar as críticas ao governo, os novos colegas de bancada trariam muito constrangimento diante dessa posição de independência do deputado na Assembleia em relação ao Palácio Anchieta.
O posicionamento de Majeski incomoda o Palácio Anchieta não só porque o deputado aponta problemas sérios na gestão do governador, sobretudo em sua principal bandeira de campanha: a educação, mas também porque vem de um partido aliado, que tem, inclusive, o vice-governador.
Mas as movimentações palacianas dentro do PSDB vão além da Assembleia. Com a entrada do senador Ricardo Ferraço no partido, pelas mãos do seu presidente, o também senador Aécio Neves (MG), e o trabalho de fortalecimento dentro da sigla do grupo ligado ao deputado federal Max Filho, o vice-governador perdeu espaço no PSDB.
As articulações costuradas por Colnago com Hartung não foram satisfatórias para parte das lideranças do partido. Com a chegada de Ricardo, a impressão que se tinha era de que o vice-governador perderia totalmente seu poder de influência no partido. Mas o grupo de Colnago parece estar reagindo e as novas filiações fortaleceriam uma base, que prepararia uma eventual entrada do próprio governador Paulo Hartung no partido. Com isso, o grupo de Hartung busca reequilibrar o jogo dentro do PSDB, evitando que a legenda tucana deixe de ser um partido auxiliar do seu arranjo político.
Hoje o PSDB tem duas cadeiras na Assembleia, caso se confirmem suas buscas no mercado, o partido pode ficar com a maior bancada da Casa, com cinco cadeiras. Na bancada federal, o partido também deve aumentar sua representatividade com a atração do deputado federal Evair de Melo (PV). Tanto nas articulações para a Assembleia quanto para a Câmara há resistências internas do partido às negociações.

