O Instituto Teotônio Vilela (ITV) e o PSDB-ES realizaram nesta sexta-feira (13), em Vitória, o encontro regional “Caminhos para o Sudeste”, com o tema “Competitividade Brasileira em Mercados Globais”. O evento integra as comemorações dos 20 anos do ITV. O encontro foi também uma oportunidade do PSDB fortalecer o discurso de oposição ao governo federal.
Um dos palestrantes do encontro, o economista e técnico do IPEA, Mansueto Almeida, falou que a crise econômica brasileira decorre da total falta de confiança de empresários, investidores e sociedade. “O governo não consegue nos mostrar o que vai fazer. O ministro fala uma coisa e a presidente outra. Todo dia surgem dúvidas se o ministro da Fazenda vai continuar ou não. Os senadores do próprio partido do governo o criticam. Como esperar apoio de outros partidos para aprovar as medidas de ajuste propostas pelo governo? As pessoas não confiam na presidente”, disse.
Mansueto afirmou também que o Brasil vai passar pela pior recessão desde a década de 80. “A culpa da recessão brasileira não é do resto do mundo. Desde 1900, o Brasil só teve queda de PIB em dois anos consecutivos em 1930 e 1931. Nosso PIB esse ano deve encolher 3% e possivelmente vai cair ao mesmo percentual no ano que vem também, enquanto o resto do mundo tem crescido entre 3 e 3,5%. Teremos uma década perdida em termos de crescimento do PIB e produção da economia.”
Em sua palestra, o presidente do ITV, José Aníbal, também afirmou que, apesar do atual cenário, é possível ser otimista com relação ao Brasil, porque o país soube aproveitar boas oportunidades de crescimento desde a redemocratização. Entretanto, essa retomada não incluiria a presidente Dilma Rousseff. “Ela não governa. Precisamos encarar os problemas e agir, mas Dilma não tem condições para isso”, criticou.
O presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), o tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas baseou sua reflexão em três pontos básicos: enfraquecimento do Real, esgotamento dos investimentos público e privado e crise energética. “Primeira reflexão a se fazer é a falta de confiança no governo federal. E pelo cronograma brasileiro essa crise deve durar até as eleições de 2018. As regras podem ser boas ou ruins, mas a falta de confiança em quem está cuidando do interesse coletivo é preocupante”, apontou Luiz Paulo.
“Ainda esbarramos na questão da competitividade, por causa da desvalorização do Real. Tudo o que foi feito 20 anos atrás foi perdido nos últimos anos. O segundo elemento é o esgotamento dos investimentos público e privado. Por fim, há a questão da energia. O preço da energia é muito alto”, destacou o tucano.
A palestra do governador Paulo Hartung, que era esperada no evento, não aconteceu, mas o vice-governador César Colnago, destacou a necessidade de encarar a crise atual e até aquelas que poderão atravessar os caminhos dos brasileiros. “O Espírito Santo é exportador e, embora tenha sofrido com o fim do Fundap, perdas no ICMS e dos royalties, logo que assumimos o governo, criamos o Comitê de Gastos e começamos os ajustes” disse.
Colnago também destacou o problema da crise hídrica e o que o governo estadual tem feito para contorná-lo. “Estamos investindo na recuperação dos rios Santa Maria da Vitória e Jucu. Também estamos acompanhando a questão do impacto ambiental e recuperação dos leitos dos rios”, disse.
O deputado federal Max Filho fez um resumo da semana legislativa e lamentou a aprovação de regras que favorecem a impunidade. “A semana começou com a aprovação da bonificação da outorga sobre a energia. Esse é o nome chique para dizer que o governo avançou sobre bolso do brasileiro, permitindo o aumento da tarifa de energia”, afirmou o parlamentar, criticando ainda a aprovação da MP que permite a repatriação de valores. “Isso nada mais é que permitir a entrada no país de dinheiro ilícito. Vão pagar um imposto e deixar livre quem promoveu evasão de divisas, sonegação”, assinalou.

