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PT capixaba se omite e aceita ‘conspiração’ de Hartung contra Dilma

Se depender da defesa dos petistas do Espírito Santo, a presidente Dilma está em maus lençóis. Com cargos no governo do Estado ou alinhados à base governista, os principais lideranças do partido têm feito vista grossa às últimas movimentações do governador Paulo Hartung (PMDB) em relação ao processo de impeachment. Hartung não assume que é a favor do impeachment, mas dá sinais claros de que já passou para o lado do vice-presidente Michel Temer.
 
Os sinais de que Hartung já se alinhou ao grupo de Temer estão cada vez mais fortes para a classe política. O governador que vinha defendendo o equilíbrio e o pacto dos governadores para ajudar o país a enfrentar a crise, mergulhou em águas profundas desde a aceitação do processo de impeachment contra a presidente Dilma, na Câmara dos Deputados, na semana passada. 
 
As últimas movimentações de Hartung deixam transparecer de que lado ele está.  A visita “secreta” de Temer ao governador na última sexta (4), a ausência de Hartung na reunião política com Dilma nessa terça-feira (8), e os ataques sendo desferidos pelo seu aliado, o deputado federal e presidente estadual do PMDB, Lelo Coimbra, contra o governo federal, reforçam a construção dessa percepção de que Hartung já mudou de lado. 
 
Mesmo assim, as lideranças do PT seguem em silêncio e sem cobrar do governador uma postura definitiva e pública. Os movimentos de Hartung, contrário à manutenção de Dilma no poder, já seriam o suficiente para que o PT capixaba desembarcasse da base do governador. Mas pelo jeito, vai ser muito difícil que o secretário João Coser entregue a pasta por causa da falta de apoio de Hartung. 
 
Também não se viu cobrança dos deputados federais do PT – Helder Salomão e Givaldo Vieira –, muito menos da bancada estadual, com o líder sindical Nunes, o deputado Honório Siqueira e menos ainda de Rodrigo Coelho, de malas prontas para deixar o partido, sobre a mudança de pposiocionamento de Hartung. 
 
Enquanto o impeachment não passava de uma tese, a situação do PT capixaba era confortável. O governador chegou a afirmar que a discussão do impedimento da presidente era inadequada para o momento conturbado do país. Hartung, inclusive, vinha “cavando” espaço na imprensa nacional na tentativa de se oferecer como interlocutor dos governadores num possível pacto federativo para o enfrentamento da crise. Mas, a partir do momento em que o governador mudou de lado, a omissão do PT passa a ser interpretada como conivência à “conspiração” de Hartung contra a presidente Dilma.

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