O retorno de João Coser à presidência do PT estadual tem um olhar para a ocupação de espaço político que coincide com o projeto político dele próprio. Além de comandar o partido no período da eleição interna, que busca garantir a permanência de seu grupo à frente da sigla no Estado, Coser prepara sua candidatura a deputado federal em 2018, como uma prioridade do partido.
O ex-prefeito de Vitória deixa a equipe do governador Paulo Hartung e se volta para a ação partidária no sentido de fazer uma articulação e fortalecimento interno. Na Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano, em um momento de cortes do no governo do Estado, a pasta não tem oferecido a visibilidade política necessária para que Coser se fortaleça.
Sem entregas, o secretário fica apagado politicamente, o que teria levado seu ex-correligionário Rodrigo Coelho a tomar a mesma decisão, deixando a secretaria de Assistência Social e retornando para a Assembleia Legislativa, em busca de mais visibilidade para a disputa de 2018.
Mas o simples retorno ao partido não resolve o problema de Coser. Fora de um mandato eletivo desde 2012, quando encerrou o segundo mandato à frente da prefeitura de Vitória, o petista precisa limpar seu campo para facilitar a disputa.
Hoje o PT tem dois deputados federais, Helder Salomão e Givaldo Vieira. A suplente da coligação com o PDT é a ex-deputada Federal Iriny Lopes. Um campo que dificulta a eleição de Coser em 2018. Como Helder não disputou a eleição para a prefeitura de Cariacica este ano, mesmo tendo uma eleição considerada fácil na mão, a expectativa é de que ele dispute a reeleição para a Câmara dos Deputados. O que não se sabe, porém, é se o ex-prefeito de Cariacica ficará no partido até lá.
Quem deve abrir alas para Coser é Givaldo Vieira, que estaria disposto a disputar a eleição para deputado estadual em 2018. A disputa à prefeitura da Serra, em que conquistou 9.023 votos, aliado à postura que vem mantendo na Câmara de alinhamento aos ideais do partido, ajudam o petista a construir um palanque consistente e em companhia de Coser, que foi seu aliado até a ida de Givaldo para a vice de Renato Casagrande (PSB) em 2010.
A assessoria do deputado Givaldo Vieira, porém, garante que o parlamentar, embora esteja focado em seu mandato, quer disputar a reeleição e não vai fazer parceria com Coser. Após a disputa eleitoral no município da Serra, o deputado entende que seu capital político o credencia à disputa e vai construir seu palanque à reeleição.

