A reunião do diretório estadual do PT capixaba, marcada para este sábado (9), em Vitória, reunirá pela primeira vez o grupo político do ex-prefeito João Coser e do deputado federal Givaldo Vieira. Ambos vivem permanentemente um conflito que rachou o partido, mas a expectativa é de que agora eles se debrucem sobre aquilo que Lula deixou bem claro na visita ao Espírito Santo na semana passada: é necessário que o PT tenha fortes candidatos fortes majoritários para as eleições de 2018.
Quando se olha dentro do partido para checar as possibilidades de disputar com êxito as eleições de governador e senador, verifica-se que essas estão mais voltadas para deputados federais, contando com os próprios Coser e Givaldo, além de Helder Salomão, que se apresenta em melhores condições para essa disputa. Não se descarta, porém, que qualquer um deles também possa concorrer ao governo e Senado. O mais capacitado deles politicamente é Helder, com uma base eleitoral muito forte em Cariacica e uma relação próxima com os movimentos sociais, além de ter apoio importante da Igreja Católica.
Há entre os petistas quem veja, nesse desejo de Lula de contar com fortes candidatos majoritários no Estado, o encontro de forças representadas pela candidatura dele à presidência da República, impulsionando candidaturas estaduais. Negar que o ex-presidente não será esse grande eleitor, mesmo não sendo candidato, é desprezar a importância do seu prestígio popular. Ele já deixou bem claro que, sendo ou não candidato, estará presente nos palanques petistas país afora.
Quando se olha o cenário de uma disputa pelo governo do Estado, com Helder se confrontando com candidatos que se apresentam até agora – governador Paulo Hartung (PMDB), seu antecessor Renato Casagrande (PSB), a senadora Rose de Freitas (PMDB) e até mesmo o deputado estadual Sergio Majeski (PSDB) – este sempre uma incógnita -, fica evidente que o deputado federal petista, com o gás que Lula vier a lhe dar, possui condições de um bom desempenho nas urnas, representando um risco para qualquer um deles.
Até porque, se há um Estado em que Lula se fará presente de maneira efetiva, é o Espírito Santo, devido ao seu interesse num acerto de contas com Hartung. Durante sua presidência, ele injetou volumosos recursos no Espírito Santo quando Hartung o governava, normalizando a vida financeira do Estado. No entanto, em sua reeleição, Hartung ausentou-se totalmente do pleito. O mesmo iria ocorrer na primeira eleição de Dilma Roussef, quando Hartung anunciou seu apoio a sua candidatura e em seguida mergulhou profundamente.
Hartung não é o único alvo de Lula. O ajuste de contas também se estende a Casagrande, se ele disputar o governo estadual. Casagrande, quando senador, fez oposição sistemática ao governo de Lula.
O que se ouve dentro do PT capixaba é que a passagem do ex-presidente pelo Estado foi vital para que o partido entre nas eleições de 2018 vitalizado por Lula, o que viabiliza o partido eleitoralmente.

