A ingerência palaciana no processo de discussão sobre a eleição na Capital no próximo ano não passa só pelo palanque do tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas. Nos meios políticos, o comentário é de que há também uma articulação para erguer um palanque petista na Capital.
O objetivo do governo é evitar que o capital de votos do partido, construído pelo ex-prefeito João Coser, migre para o palanque do prefeito Luciano Rezende (PPS), candidato à reeleição. Para os observadores, depois da derrota em 2008, apoiando Luiz Paulo Vellozo Lucas, o governador quer evitar novas surpresas e vem preparando o terreno para esvaziar o palanque do prefeito.
Recentemente, o ex-prefeito de Vitória, João Coser, atual secretário Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano do Estado, anunciou que não disputaria a prefeitura no ano que vem, mas disse que o partido deveria lançar um nome na corrida eleitoral.
O mercado se voltou então para o nome da ex-deputada federal Iriny Lopes, que disputou a sucessão de Coser em 2012. Mas ela não deve ser a escolhida para a disputa de 2016. Isso porque, haveria um veto palaciano ao nome da ex-deputada.
O governador Paulo Hartung (PMDB) teme que as críticas de Iriny, que não se alinha a Hartung, se voltem contra a influência do peemedebista na disputa.
Neste sentido, o PT estaria debruçado sobre outros quadros que poderiam fechar a lacuna aberta com a saída de Coser. Quando estudava nomes para suceder Coser, o partido já cogitava dois ex-secretários da gestão petista: Kleber Frizera (Desenvolvimento da Cidade) e Luiz Carlos Reblin (Saúde).
Reblin ocupa hoje o mesmo cargo na prefeitura da Serra e seria o nome favorito para erguer o palanque petista pelo grupo de Coser sem representar ameaça para Hartung. Mas caso haja pressão do grupo de Iriny dentro do PT, o plano de Hartung se complicaria um pouco, já que o nome do candidato petista teria que ser decidido em convenção, o que não chega a ser um grande transtorno. Coser, que continua com o partido na mão, não teria muita dificuldade para impor um nome que agrade o Palácio Anchieta.
Como alternativa a Iriny, o grupo pode brigar internamente para pôr Max Dias no processo eleitoral de Vitória. Dias, que faz parte da juventude do PT, disputou o diretório municipal de Vitória com Alexandre Passos no final de 2013, levando, inclusive, a disputa para o segundo turno.

