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Queda de braço entre Câmara e prefeitura gera insegurança política em Jaguaré

No próximo dia 13 de dezembro, o município de Jaguaré, no norte do Estado, completa 36 anos de emancipação política, de sua cidade mãe, São Mateus. É pouco tempo se comparada à sucessão de confusões políticas estabelecidas no município, sobretudo, a partir da década de 2000. Uma insegurança que parece longe do fim.

Com o prefeito reeleito em 2016, Rogerio Feitani (PMN), afastado do cargo desde abril deste ano, por denúncia de irregularidades à frente da prefeitura, o interino Ruberci Casagrande (DEM) é o alvo preferencial dos vereadores, uma queda de braço desgastante para os dois lados, mas principalmente para a população, que sofre com a insegurança política na cidade.

Com base em denúncias de abuso de poder econômico, o legislativo municipal criou uma comissão processante pedindo a cassação do mandato do prefeito interino. Uma série de movimentações políticas dos dois lados tem esticado a corda entre os poderes e a interferência da justiça tem sido exigida para não permitir abusos.

No último dia 18, a Câmara chegou a cassar o mandato do prefeito, alegando que ele não havia se apresentado para ser ouvido na Comissão Processante, com base em atestados médicos, o que vinha sendo considerado pelos vereadores manobras protelatórias.

Mas a pressa da Câmara em concluir o processo, que daria ao presidente da Casa, João Vanes (SD), a interinidade na prefeitura, causou reações no grupo do prefeito, que viu oportunismo na medida. Vanes chegou assumir o cargo, mas foi por pouco tempo, já que a Justiça local concedeu ao prefeito o direito de ser ouvido na Comissão.

Esta semana, mais uma investida da Câmara chamou atenção dos meios políticos. Uma nova comissão processante foi criada com base em um vídeo em que o prefeito teria xingado vereadores, o que seria quebra de decoro parlamentar. Deve ser uma nova batalha para tirar Ruberci da prefeitura.

O cabo de guerra político em Jaguaré ganhou força a partir da década de 2000, com o revezamento dos mesmos grupos à frente da prefeitura. A disputa se acirrou a partir de 2004, quando o então candidato Florisvaldo Klippel, o Flor, venceu a disputa com apoio de EvilázioAltoé.

Flor sequer foi empossado. O segundo colocado na disputa, Sávio Martins, conseguiu a impugnação da candidatura do adversário. Em 2005, uma eleição extemporânea foi realizada, com vitória de Rogerio Feitani, que também foi apoiado por Altoé.

Feitane e Evilázio romperam depois disso e em 2008 se enfrentaram na disputa pela prefeitura, com vitória de Evilázio. Nova batalha judicial e o eleito teve o mandato cassado em 2010, com uma nova eleição extemporânea, Sávio Martins foi eleito. Em 2012, Savio disputou com Rogerinho, que venceu a disputa. Em 2016, Feitani foi reeleito e a população acreditava que a crise política estaria enfim superada no município, até abril, quando Feitani foi afastado do cargo.

A disputa acirrada pela prefeitura de Jaguaré se explica pelo fato de o município receber cerca de R$ 1 milhão por mês em royalties do petróleo. Em meio à crise na maioria das prefeituras, o município consegue superar as dificuldades financeiras, o que atrai interessados em administrá-la.

 

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